EFE/EPA/Marcos Oliveira/Agência Senado - 12/8/2015
EFE/EPA/Marcos Oliveira/Agência Senado - 12/8/2015

Bolsonaro dá posse a Marcelo Queiroga como ministro da Saúde em cerimônia reservada

Queiroga foi anunciado como novo chefe da pasta após explosão de novos casos e de mortes por causa da covid-19 no País

Emilly Behnke e Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2021 | 13h36
Atualizado 23 de março de 2021 | 18h42

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro deu posse nesta terça-feira, 23, ao médico cardiologista Marcelo Queiroga como novo ministro da Saúde – o quarto a ocupar o cargo em seu governo. A oficialização da troca ocorreu em cerimônia reservada no gabinete do presidente, no Palácio do Planalto. A nomeação foi publicada em edição exta do Diário Oficial da União na tarde de hoje.

Queiroga foi anunciado como novo chefe da pasta na última segunda-feira, 15, no lugar do general Eduardo Pazuello, desgastado após a explosão de casos e mortes por covid-19 no País. O agora ex-ministro responde a um inquérito no Supremo Tribunal Federal por suposta omissão do Ministério da Saúde no colapso registrado no Amazonas no início do ano, quando pacientes da doença morreram asfixiados por falta de oxigênio.

Como revelou o Estadão, a posse de Queiroga ainda estava travada porque antes era preciso que ele se desvinculasse da sociedade de empresas das quais é sócio na Paraíba, seu Estado. 

Além da ligação de Queiroga com as empresas, o destino de Pazuello também travava a oficialização da mudança no comando da pasta. Uma das possibilidades em discussão no governo é o general assumir a Secretaria Especial do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), que deve sair da Economia e ir para o guarda-chuva da Secretaria-Geral da Presidência.

'Continuidade'. Apesar de assumir o cargo no momento mais agudo da pandemia, com recordes diários de mortes e críticas pelo ritmo lento na vacinação no País, Queiroga afirmou na sema passada que dará continuidade ao trabalho até agora executado na pasta. "A política é do governo Bolsonaro, não do ministro da Saúde. O ministro executa a política do governo", disse Queiroga, um dia após ter sido anunciado como novo ministro.

Apesar de já ter manifestado rejeição a bandeiras do governo Bolsonaro, como o uso da cloroquina, medicamento ineficaz para covid-19, Queiroga não deve realizar mudanças bruscas na pasta.

A demora na oficialização de Queiroga no cargo, porém, já incomodava governadores e prefeitos. Como mostrou o Estadão ontem, secretários de saúde apontam preocupação com o fato de a transição ocorrer num momento crítico da doença, em que hospitais estão superlotados e cidades registram falta de sedativos usados para intubar pacientes de covid-19. O ministério fez requisições de estoques e promete realizar compras internacionais de medicamentos.  

“Temos dois ministros e, na verdade, não temos nenhum”, disse o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), em evento na segunda-feira, 22. “O que entra não está autorizado a agir como ministro, porque não recebeu a sua nomeação. O outro, que sai, não está com disposição de determinar, orientar e comandar, porque já é um ex-ministro, ainda que ocupando o cargo”, declarou.

A demora para troca de ministro também incomodava parlamentares no Congresso. "Um país que se aproxima de 3 mil mortos/dia não pode se dar ao luxo de esperar um indicado para ministro da Saúde passar dias para se desincompatibilizar da empresa da qual é sócio-administrador. Isso é uma provocação com famílias enlutadas e com gente que luta pela vida em UTIs", escreveu o vice-presidente da Câmara, Marcelo Ramos (PL-AM), no Twitter, no domingo, 21. 

Apesar de ter bom trânsito entre parlamentares, Queiroga foi uma escolha pessoal de Bolsonaro, por indicação do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho mais velho do presidente. Como mostrou o Estadão, o futuro ministro teve uma passagem relâmpago pelo Republicanos, um dos principais partidos do chamado Centrão. Ele se desfiliou em janeiro deste ano.

Integrantes do grupo, porém, apoiavam a médica Ludhmila Hajjar para a pasta. O nome dela tinha respaldo do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e integrantes do Supremo. Ela recusou o convite por não concordar com a defesa da cloroquina, medicamento sem eficácia comprovada contra covid-19, e rejeitar críticas ao lockdown, bandeiras de Bolsonaro na pandemia.

 

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