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Bolsonaro contraria dados do governo e diz que vacina está em ‘fase experimental’

Presidente defendeu novamente cloroquina e tratamento precoce, um dia depois ministro da Saúde admitir ineficácia de medicamentos

Gustavo Côrtes e Bruno de Castro, O Estado de S.Paulo

09 de junho de 2021 | 23h14

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro defendeu novamente, nesta quarta-feira, 9, o uso da cloroquina para tratar o coronavírus e alegou que as vacinas ainda estão em “fase experimental”. A informação, porém, contrasta com os dados do próprio governo, uma vez que todas as vacinas aplicadas no Brasil foram aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Não há imunizante em fase experimental no Brasil.

Ao participar de um culto em Anápolis, Bolsonaro pregou, mais uma vez, o tratamento precoce. O presidente fez as afirmações um dia depois de o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, admitir à CPI da Covid que medicamentos como cloroquina e hidroxicloroquina não têm eficácia comprovada contra coronavírus. 

“Ah, não tem comprovação científica. E eu pergunto: a vacina tem comprovação científica ou está em estado experimental ainda?”, questionou Bolsonaro, diante de políticos e fiéis, numa igreja evangélica. Ele mesmo respondeu: “Está experimental”. Depois, continuou a pregação a favor do uso de medicamentos da lista do tratamento precoce, sem respaldo da Organização Mundia da Saúde (OMS).

“Nunca vi ninguém morrer por tomar hidroxicloroquina, em especial na região amazônica, para se curar de malária, ou de lúpus. Por que não investir nisso? Por que é barato?”, perguntou o presidente. Em seguida, citou o uso de chás para tratamento de covid em terras indígenas da Amazônia visitadas por ele, no mês passado.

Mesmo vacinas que chegaram a ser aprovadas em caráter emergencial no País, como a Coronavac, passaram pelo crivo da Anvisa, após inúmeros testes clínicos. Mas Bolsonaro fez questão de  relacionar o tratamento precoce, e não a vacina, à possibilidade de  um menor número de mortes.

Nessa toada, ele repetiu que “acórdãos” do Tribunal de Contas da União (TCU) apontaram um “superdimensionamento” em mortes por covid-19 para que Estados pudessem receber mais recursos públicos. O TCU divulgou nota desmentindo Bolsonaro e um auditor foi afastado do cargo, por 60 dias, após inserir documento com dados não oficiais sobre covid no sistema interno do tribunal.  

“Se nós retirarmos as possíveis fraudes, teremos em 2020 o nosso País como aquele que teve o menor número de mortes por milhão de habitantes por causa da covid-19”, disse o presidente. “E aí vem o importante: que milagre é esse? O tratamento precoce. Quem aqui tomou cloroquina levanta o braço, por favor”, pediu ele no culto em Anápolis.

Sem apresentar evidências, Bolsonaro insistiu na tese de que o coronavírus pode ter sido criado em laboratório. O governo da China sempre refutou essa suspeita. “Ainda não tenho provas, mas esse vírus nasceu de animal ou no laboratório? Tenho na minha cabeça de onde veio esse vírus e para quê. Mas ele está aqui, entre nós", afirmou.

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