Rafael Carvalho/Equipe de Transição
Rafael Carvalho/Equipe de Transição

Damares Alves é confirmada no Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos

Pastora e advogada é ex-assessora de Magno Malta; pasta vai concentrar a Funai

Luisa Marini, especial para o Estado, e Julia Lindner/Brasília Tulio Kruse/São Paulo, O Estado de S.Paulo

06 Dezembro 2018 | 15h23

A pastora e advogada Damares Alves foi confirmada na chefia do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos. O anúncio foi feito pelo ministro extraordinário e coordenador da equipe de transição do governo, Onyx Lorenzoni, na tarde desta quinta-feira, 6. A pasta, ainda segundo o ministro, deve ficar responsável pela Fundação Nacional do Índio (Funai), que havia sido considerada para ir ao Ministério da Agricultura pelo presidente eleito Jair Bolsonaro

Ao Estadão/Broadcast, o presidente da Bancada Evangélica, deputado Takayama (PSC-PR), comemorou a nomeação de Damares. "É amada na Frente", disse.  Mas o convite de Bolsonaro à pastora, na semana passada, gerou atrito com a bancada evangélica. Damares foi assessora do senador Magno Malta (PSC-ES), um dos políticos mais próximos de Bolsonaro durante a campanha. Malta não conseguiu se reeleger e não foi chamado para compor o primeiro escalão do novo governo. 

Nesta quarta-feira, 5, Bolsonaro disse que as portas "estão abertas" para o senador, mas que não seria "adequado" colocá-lo à frente de um ministério. Malta respondeu horas depois, dizendo que seu compromisso com o presidente eleito foi até o fim do segundo turno, e tentou minimizar qualquer sentimento de frustração.

Damares, que é advogada, educadora e pastora evangélica, é a segunda mulher anunciada para compor o governo do presidente eleito Jair Bolsonaro, que já conta com 21 ministérios. Durante coletiva, Damares disse que aborto não pode ser considerado "método contraceptivo" e que legislação não deve ser alterada. 

Antes de se declarar abertamente contrária ao aborto, durante a coletiva, ela chegou a dizer que o primeiro direito a ser protegido será o direito à vida. "Entendemos que o maior e o primeiro direito a ser protegido é o direito à vida, nós vamos trabalhar nessa linha", declarou. 

A futura ministra disse ainda que vai trazer para o protagonismo mulheres que ainda não foram atingidas por políticas públicas e que vai fazer um amplo pacto pela infância, já que a Secretaria da Infância também vai integrar a Pasta. "Infância vai ser prioridade nesse governo, é intenção do presidente", disse Damares após ser anunciada como ministra. 

Damares garantiu ainda que "nenhum homem vai ganhar mais que mulher desenvolvendo a mesma função". Durante a campanha presidencial, uma das declarações mais polêmica do então presidenciável Jair Bolsonaro falava sobre o assunto. Para ele, desigualdade salarial entre homens e mulheres já está resolvida nas leis trabalhistas da CLT. Em um programa em 2016, na RedeTV!, Bolsonaro disse que não empregaria uma mulher pelo mesmo salário de um homem. 

Sobre Magno Malta, Damares afirmou que "Senador Magno Malta até este momento ainda é meu chefe, sabe do convite, está feliz e entende que eu fui convidada por causa do meu trabalho ao longo de anos", disse. 

O anúncio de Lorenzoni também põe fim à disputa sobre o futuro da Funai. Atualmente sob responsabilidade do Ministério da Justiça, a fundação havia sido alvo de especulações desde os primeiros dias após a vitória eleitoral de Bolsonaro.

A equipe de transição chegou a dizer que o órgão poderia ser repassado ao Ministério da Agricultura. O anúncio causou reação de funcionários da Funai, que enviaram uma carta ao futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro, pedindo que a autarquia permanecesse sob sua responsabilidade. 

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