Lorenna Rodrigues/Estadão
Lorenna Rodrigues/Estadão

Bolsonaro admite reeleição e diz que entregará País 'melhor em 2026'

Presidente volta a insinuar que pretende concorrer a novo mandato, o que contraria sua própria promessa de campanha

Rafael Moraes Moura e Lorenna Rodrigues, O Estado de S. Paulo

06 de julho de 2019 | 21h59
Atualizado 07 de julho de 2019 | 08h34

BRASÍLIA - Em um discurso improvisado na festa de São João do Clube Naval de Brasília, o presidente Jair Bolsonaro voltou a sugerir neste sábado, 6, que pretende disputar a reeleição, e afirmou que entregará um País “muito melhor” para quem lhe suceder no comando do Palácio do Planalto, “em 2026”.

“Pegamos um País quebrado moral, ética e economicamente. Mas, se Deus quiser, nós conseguiremos entregá-lo muito melhor para quem nos suceder, em 2026”, disse Bolsonaro, sob gritos de “mito”. O presidente sorriu quando falou “2026” e foi muito aplaudido. Eleito em 2018, Bolsonaro encerra seu mandato em 2022.

 

Ao fazer um balanço do primeiro semestre, Bolsonaro disse que “em seis meses de governo, graças a Deus, nenhuma acusação de corrupção” pairou sobre sua gestão no Planalto. “Aquilo que parecia que estava fadado a fazer parte da nossa história ficou para trás”, disse o presidente, em cima de um palco. “(Devo isso) Em grande parte a vocês que acreditaram numa proposta que realmente pudesse buscar dias melhores para o nosso Brasil. Ao povo, nossa lealdade absoluta”, completou o presidente.

No mês passado, ao visitar Eldorado, no interior paulista, Bolsonaro também sugeriu que pode concorrer à reeleição. Na ocasião, ele afirmou que “se não tiver uma boa reforma política e, se o povo quiser, estamos aí para continuar mais quatro anos” e que “lá na frente” todos votarão nele.

Ao insinuar que irá concorrer a um novo mandato, Bolsonaro contradiz sua própria promessa de campanha. Em outubro de 2018, em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, Bolsonaro disse que pretendia acabar com o instituto da reeleição. "Começa comigo se eu for eleito", disse, na ocasião.

A presença de Bolsonaro no São João do Clube Naval não estava prevista na agenda oficial divulgada pelo Planalto. Ele passou a maior parte da festa em uma área restrita de convidados e permaneceu por apenas 40 minutos. O novo ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, também estava presente. Para entrar no São João do Clube Naval, o público foi obrigado, pela equipe de segurança do governo, a passar por detector de metais.

Ao sair da festa junina, Bolsonaro posou para fotos com crianças e, deu seu palpite para a final da Copa América. Ao Estadão/Broadcast, disse que a seleção brasileira vencerá o Peru por 2 a 0 hoje. O presidente pretende ir ao Rio de Janeiro para acompanhar a partida final do campeonato. Bolsonaro deve levar a tiracolo o ministro da Justiça e da Segurança Pública, Sérgio Moro, que tem sido alvo de questionamentos sobre a imparcialidade de sua atuação como juiz após a divulgação de supostas mensagens trocadas com procuradores da operação Lava Jato.

Brincadeira. Bem humorado e tomando caldo de feijão, o presidente Jair Bolsonaro comparou neste sábado o novo ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, ao jogador Neymar. “Cada um contrata o Neymar que pode”, disse ele.

A brincadeira foi registrada em live do Instagram pela deputada Bia Kicis (PSL-DF). No vídeo, Bolsonaro e Ramos aparecem sorridentes na festa de São João do Clube Naval. “Vou tentar ajudar o máximo que puder. Vim para isso. O PSG contratou o Neymar. O presidente acabou de me contratar. Então, é para ganhar o campeonato”, disse Ramos, que substitui o general Carlos Alberto dos Santos Cruz e será responsável pela articulação política do Palácio do Planalto com o Congresso.

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