DIOCESE DE BELEM DO PARA
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Bispos iniciam último encontro antes de Sínodo da Amazônia

Religiosos discutem documento que será base para decisões do encontro, marcado para outubro em Roma

Felipe Frazão, enviado especial, O Estado doe S. Paulo

28 de agosto de 2019 | 23h31

Belém - No último encontro em preparação ao Sínodo da Amazônia, que acontece em outubro em Roma, cerca de 60 bispos se reuniram nesta quarta-feira, 28, num antigo convento às margens das baías do Guajará e do Marajó. A reunião, que vai durar três dias, ocorre a portas fechadas e com reforço de segurança. Segundo os participantes, não serão discutidos assuntos políticos.

Para eles, o governo teria uma visão distorcida dos objetivos do Sínodo convocado pelo papa Francisco. “É besteira, uma ideia esdrúxula do governo sobre o Sínodo, não corresponde à nossa visão de jeito nenhum. Eles confundem soberania com pré-ocupação da Amazônia”, diz o bispo emérito do Xingu (PA), d. Erwin Krautler. 

Como o Estado mostrou, a inteligência brasileira, que responde aos militares, monitorou os preparativos e até a diplomacia foi acionada para levar insatisfação à Santa Sé. Eles acham que o Sínodo tem viés de esquerda e dará margem a ameaças à soberania brasileira. 

Guardas armados.

Na recepção do antigo convento, uma viatura com três agentes armados da Guarda Municipal de Belém foi destacada para garantir a segurança dos religiosos, que não têm previsão de sair às ruas.

Nos três dias, eles vão estudar o documento principal que vai orientar as discussões no Sínodo. Esse texto foi preparado pela Rede Eclesial Pan-amazônica, a pedido da Igreja, após consultas a 87 mil pessoas dos nove países pelos quais a floresta amazônica se espalha. Ao final, pretendem divulgar uma nota.

Os 60 bispos se dividiram em oito grupos de discussão e devem entrar na manhã desta quinta-feira, 29, no trecho tratado por autoridades do governo brasileiro, principalmente os militares, como mais sensível à soberania nacional. O capítulo trata, entre outros temas, de corrupção, destruição ambiental e desrespeito a direitos dos povos originários, como indígenas, quilombolas e ribeirinhos. A Igreja tem feito campanha contra o desmatamento e a mineração na floresta. O texto, porém, não cita o governo do presidente Jair Bolsonaro.

Inconformados com o tom adotado pelos organizadores do Sínodo, representantes de grupos conservadores ligados à Igreja Católica vão realizar nos dias 4 e 5 de outubro, também em Roma, um encontro para contestar a abordagem sobre a questão ambiental. Abaixo-assinado com 20 mil assinaturas colhidas na região amazônica que será entregue à cúpula da Igreja repete o discurso do governo ao falar em “inaceitável” atentado à soberania. 

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