Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Bastidores: Guedes e Lira conversaram de madrugada sobre situação de Daniel Silveira

Preocupação do ministro e do presidente da Câmara era de que prisão do deputado prejudicasse projetos da área econômica

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2021 | 19h15

BRASÍLIA – A pauta de projetos na área econômica e de novas medidas de combate à pandemia da covid-19 acabou se transformando numa saída política para o impasse em torno da prisão do deputado bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ). 

Já havia passado das 23h da quarta-feira quando o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e o ministro da Economia, Paulo Guedes, conversaram pelo telefone sobre o assunto. A preocupação de ambos era de que o imbróglio político prejudicasse as negociações em andamento da agenda de votações para a retomada econômica e da urgência diante da necessidade de enfrentar a “guerra” da pandemia. 

Em plena negociação delicada sobre a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) do orçamento de guerra, que vai possibilitar o pagamento de uma nova rodada de auxílio, a Câmara paralisou os trabalhos para discutir o destino de Silveira, um aliado do presidente Jair Bolsonaro. A tensão e os desdobramentos do episódio poderiam ser transformar em mais entrave a retardar a agenda já comprometida pela pandemia. 

Pela manhã, Lira foi até o Palácio da Alvorada e informou a Bolsonaro que a Câmara iria confirmar a prisão de Silveira. Na conversa com o presidente, dividido entre bater de frente com o Supremo e aprofundar a crise entre os Poderes ou desagradar a ala bolsonarista, Lira se apegou à pauta econômica e disse ao presidente que estava preocupado com o seu andamento no Congresso.

O argumento caiu com uma luva para o complicado momento político logo no início da sua gestão à frente do comando da Câmara. O discurso que prevaleceu foi o de que o País não pode perder o curso das reformas por causa da confusão com o deputado do PSL.

Lira e Guedes se encontraram mais tarde, em reunião na residência do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), e mostraram convergência em torno da pauta e da votação da PEC para o auxílio finalmente sair do papel.

A votação tem de ser rápida para que o benefício chegue logo à população, mas não está claro ainda qual o tamanho do apoio de Lira  às medidas de ajuste que Guedes cobra em contrapartida ao aumento de endividamento necessário para pagar o auxílio.

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