Adriano Machado/Reuters - 12/1/2021
Adriano Machado/Reuters - 12/1/2021

Lira diz a Bolsonaro que Câmara deve manter prisão de Silveira para não atrasar pauta econômica

Presidente da Câmara teme que a polêmica envolvendo Daniel Silveira atrase a análise do auxílio emergencial e reformas em discussão no Congresso

Emilly Behnke, O Estado de S.Paulo

18 de fevereiro de 2021 | 10h37
Atualizado 18 de fevereiro de 2021 | 12h20

BRASÍLIA - Dois dias depois de o deputado bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ) ser preso, o presidente Jair Bolsonaro recebeu o presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), no Palácio da Alvorada na manhã desta quinta-feira, 18. No encontro, Lira afirmou ao chefe do Executivo que a tendência é a Casa manter a prisão do parlamentar.

Segundo o Estadão/Broadcast Político apurou, Lira admitiu ao presidente preocupação de que a polêmica envolvendo Silveira atrase a análise de temas econômicos em discussão na Casa. Ele também telefonou ao ministro da Economia, Paulo Guedes, para tratar do assunto.

Como revelou ontem o Estadão, a conversa ocorreu após integrantes da equipe econômica mandarem recados para o presidente da Câmara preocupados que essa discussão possa prejudicar a votação de medidas importantes para o País, como a retomada da discussão do auxílio emergencial e as reformas. O argumento de que a Câmara não pode perder tempo com uma agenda envolvendo um deputado extremista, em detrimento de toda uma pauta necessária para a retomada da economia, convenceu parlamentares a votar pela prisão e encerrar o assunto o quanto antes.

Silveira foi preso na noite de terça-feira, 16, após publicar vídeo  contendo apologia ao Ato Institucional 5 (AI-5), o mais violento ato da ditadura militar, e discurso de ódio contra os integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF). A ordem de prisão foi dada pelo ministro Alexandre de Moraes, mas confirmada ontem por unanimidade pelo plenário da Corte.

Como revelou o Estadão, ainda na terça-feira, enquanto o vídeo de 19 minutos do parlamentar alcançava grande audiência nas redes sociais e repercutia entre integrantes do Poder Judiciário, Lira telefonou para o presidente Jair Bolsonaro, de quem Silveira é aliado. Buscava uma avaliação do chefe do Planalto sobre o conteúdo publicado. Um parlamentar que acompanhou o diálogo contou ao Estadão que Bolsonaro, um ávido usuário das redes sociais, se limitou a responder que não sabia de gravação alguma e encerrou a conversa.

Bolsonaro tem evitado manifestações públicas em defesa do aliado. Ao deixar o Alvorada após a reunião com Lira, não tocou no assunto ao falar com apoiadores. Limitou-se a posar para fotografias por cerca de cinco minutos.

O deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho “Zero Três" do presidente, foi o único da família a sair em defesa de Silveira no Twitter. “Dentre outros fatores, amanhã votarei pela libertação”, escreveu ontem. Ele justificou a decisão “em nome das garantias da imunidade parlamentar, liberdade de expressão, devido processo legal, ampla defesa e contraditório”.

A votação unânime no Supremo e a denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), no entanto, forçaram Lira e deputados aliados ao governo a rever a estratégia para tentar livrar  Silveira da cadeia. Após o placar, a avaliação entre líderes partidários é que a Câmara não tem mais como votar de forma a contrariar uma decisão que agora é de onze ministros. 

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