Alex Silva/Estadão
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Bancada da bala avalia rompimento com o governo após saída de Moro

'Nem na época do PT tínhamos isso aí', diz presidente da frente parlamentar da Segurança Pública, deputado Capitão Augusto, sobre denúncias feitas pelo ex-juiz

Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

24 de abril de 2020 | 13h14

BRASÍLIA -  A base do governo na Câmara e do Senado pode sofrer um abalo após a saída de Sérgio Moro do governo. A bancada da bala, aliada ao presidente Jair Bolsonaro desde a campanha eleitoral, fará reunião para avaliar se mantém seu apoio.

"É um luto total", disse o presidente da frente parlamentar da Segurança Pública, deputado Capitão Augusto (PL-SP).  Ele tentará reunir a bancada ainda na tarde desta sexta-feira por videoconferência para decidirem uma posição oficial. O grupo conta com 257 parlamentares, mas nem todos apoiam o governo. 

Para Augusto, as denúncias contra Bolsonaro feitas por Moro nesta sexta-feira são “gravíssimas”. “Nem na época do PT tínhamos isso aí, não achava que as coisas eram tão mais graves ainda. Estou com o sentimento do dia 1º de maio de 1994, morte do Ayrton Senna”, disse. O ministro acusou o presidente de tentar interferir politicamente no comando da Polícia Federal para obter acesso a informações sigilosas e relatórios de inteligência.

“Você vê que tudo o que foi pregado e trabalhado durante as eleições foi em vão e agora, o Bolsonaro se prestar a isso é algo decepcionante. Ele vai ter sérios problemas dentro do Congresso. É o começo do fim do mandato dele, infelizmente”, afirmou Augusto.

Uma das parlamentares mais fiéis a Bolsonaro, a deputada  Carla Zambelli (PSL-SP) admitiu que a militância está abalada com a saída do ministro,  mas pediu que as pessoas “tenham confiança no presidente”.

“É natural que a militância fique abalada no médio prazo, mas isso vai voltar ao normal. Peço que as pessoas tenham confiança no presidente”, afirmou Zambelli. Ela não quis comentar sobre as denuncias feitas por Moro.

Um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar interferências políticas no funcionamento da Polícia Federal foi apresentado pouco após o pronunciamento de Moro pelo deputado Aliel Machado (PSB-PR).

“É inaceitável que se legitime ações de obstrução do processo criminal em sentido estrito e em sentido amplo. É esse o relato do então Ministro da Justiça”, diz Machado no pedido. Ele já está coletando digitalmente as assinaturas para protocolar o documento. São necessárias 171 para isso. 

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