Waldemir Barreto/Agência Senado
Waldemir Barreto/Agência Senado

Após protestos, tucanos aumentam pressão pela saída de Dilma do Planalto

Para FHC, governo, ‘embora legal, é ilegítimo’ e renúncia da presidente seria um ‘gesto de grandeza’ dela; Aloysio Nunes diz que PSDB vai apoiar eventual pedido de impeachment na Câmara e Aécio Neves fala em ‘convergência’ do partido com a voz das ruas

O Estado de S. Paulo

17 de agosto de 2015 | 22h16

Brasília - Um dia após integrantes da cúpula tucana terem saído às ruas do País em manifestações contra a gestão Dilma Rousseff, líderes do PSDB aumentaram nesta segunda-feira, 17, a pressão sobre a presidente. Em seu perfil no Facebook, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que a renúncia de Dilma seria um gesto de “grandeza”. No Senado, Aloysio Nunes Ferreira (SP) disse que o partido apoiará o impeachment se ele for pedido na Câmara. Para Aécio Neves (MG), o partido agora está em “convergência” com a vontade expressada nas ruas.

Segundo FHC, os protestos de domingo foram os mais “significativos” dos três realizados neste ano pedindo o impeachment de Dilma Rousseff. O texto publicado ontem por ele foi o mais incisivo contra o governo desde o início da atual crise política no começo deste ano.

“Se a própria presidente não for capaz do gesto de grandeza – renúncia ou a voz franca de que errou e sabe apontar os caminhos da recuperação nacional –, assistiremos à desarticulação crescente do governo e do Congresso, a golpes de Lava Jato. Até que algum líder com força moral diga, como o fez Ulysses Guimarães, com a Constituição na mão, ao (Fernando) Collor: você pensa que é presidente, mas já não é mais”, escreveu Fernando Henrique.

Na tentativa de se proteger das acusações de “golpismo” por parte dos petistas, o ex-presidente disse que o governo Dilma, “embora legal, é ilegítimo” por ter perdido o apoio popular. Ele também citou Luiz Inácio Lula da Silva. Para FHC, o petista “contamina” as condições de governabilidade de Dilma e cita o boneco inflável de Lula vestido de presidiário levado por manifestantes anteontem à Esplanada dos Ministérios, em Brasília. “Com a metáfora do boneco vestido de presidiário, a presidente, mesmo que pessoalmente possa se salvaguardar, sofre contaminação dos malfeitos de seu patrono e vai perdendo condições de governar.” FHC completa dizendo que falta “base moral” ao governo.

Em entrevista ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, o senador Aécio Neves disse que o PSDB não estará longe do “jogo”. “Não vamos apressar o jogo, mas tampouco vamos estar distantes disso”, afirmou. Para ele, a renúncia de Dilma, defendida ontem por FHC, é uma alternativa, mas não depende dos tucanos. O senador vê três caminhos para o desfecho da crise: renúncia, impeachment ou cassação do diploma (cassação da chapa eleitoral de Dilma no TSE, conforme ações que estão sendo analisadas).

Convergência. Ainda de acordo com Aécio, o partido agora está em sintonia com os movimentos. “Está havendo convergência, inclusive com a compreensão das lideranças dos movimentos. Qualquer que seja o desfecho dessa gravíssima crise, passa pela política representativa, pelo Congresso, pelos tribunais”, disse.

No domingo, Aécio participou pela primeira vez de uma manifestação pela saída de Dilma Rousseff. No protesto em Belo Horizonte (MG), o presidente do PSDB discursou em cima de um carro de som para criticar a atual gestão petista.

Outros líderes do PSDB, como o senador, ex-governador e ex-prefeito José Serra (SP), também saíram às ruas.

egundo integrantes da cúpula nacional tucana, o partido vai esperar que o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), tome a iniciativa de colocar em tramitação um dos pedidos que foram protocolados na Casa para só então assumir abertamente a bandeira do impedimento.

“Se o Eduardo Cunha resolver tramitar e constituir uma comissão, nós vamos participar. Duvido que algum governador ou líder tucano seja contra”, afirma o senador Aloysio Nunes Ferreira. “As condições políticas para o impedimento estão nas mãos do PMDB. E a renúncia não é um programa da oposição. Isso depende do estado de espírito da pessoa”, diz o senador tucano. / PEDRO VENCESLAU, ANA FERNANDES, IRANY TEREZA e RICARDO BRITO

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