Renan Olaz/CMRJ/Divulgação
Renan Olaz/CMRJ/Divulgação

Após operação, PSOL volta a pedir impeachment de Crivella

Processo havia sido recusado no âmbito dos 'Guardiões', mas novo pedido tem como foco o suposto 'QG da Propina' na Prefeitura

Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2020 | 11h22
Atualizado 17 de setembro de 2020 | 13h00

RIO - O PSOL entrou na manhã desta terça-feira, 15, com novo pedido de impeachment contra o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (Republicanos). O documento tem como foco o suposto ‘QG da Propina’ na Prefeitura carioca. Na semana passada, Crivella foi alvo de busca e apreensão no âmbito da investigação. Segundo a desembargadora que autorizou a operação, ele seria quase um “subordinado” do homem apontado como operador do esquema, o empresário Rafael Alves.

O pedido foi entregue pelos vereadores da legenda ao presidente da Câmara Municipal, Jorge Felippe (DEM). Segundo o partido, Crivella desviou verbas públicas ao supostamente participar do esquema e cometeu improbidade administrativa e crime de responsabilidade. As investigações mostram que o prefeito trocou quase 2 mil mensagens com Rafael Alves, que não tinha cargo na gestão. O empresário atuaria para facilitar contratos de empresas por meio do pagamento de propina e teria forte influência sobre o mandatário.  Ambos negam as acusações.

Para o vereador Tarcísio Motta, o pedido tem mais embasamento que o anterior, já que há material robusto da investigação do MP e uma decisão judicial que autorizou busca e apreensão. A previsão é de que a abertura ou não do processo seja votada nesta quinta, 17, mesmo dia em que a comissão especial da Assembleia Legislativa vai votar o relatório sobre o impeachment do governador Wilson Witzel. 

"Também tomamos o cuidado de assinar o pedido em nome da bancada do PSOL, não com o nome da deputada Renata Souza, nossa pré-candidata à Prefeitura. Isso anula o argumento de alguns vereadores que falaram que o pedido tinha motivações eleitorais", diz Tarcísio.

Quando Rafael Alves foi alvo de buscas pela primeira vez, em março deste ano, Crivella ligou para ele sem saber que a operação já estava em curso. Quem atendeu o telefone - que havia sido escondido sob uma pilha de roupas - foi o delegado que cumpria o mandado.

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Às vésperas da eleição, Crivella conseguiu barrar um outro pedido de impeachment, que tinha como escopo o escândalo conhecido como 'Guardiões', revelado pela TV Globo. Servidores do município eram pagos para fazer plantões na porta de hospitais e impedir que a população denunciasse as más condições da Saúde em entrevistas para emissoras de televisão.

O prefeito tentará a reeleição em novembro, mesmo impopular e às voltas com os dois escândalos. A pré-campanha definiu ontem quem será a vice da chapa: a tenente-coronel Andréa Firmo.

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