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Após liberar cloroquina, ministro interino da Saúde acompanha Bolsonaro em ato

De máscara, Pazuello saiu de helicóptero do Palácio de Alvorada junto com o presidente, o ministro Augusto Heleno e o deputado federal Hélio Lopes

Jussara Soares, Dida Sampaio e Emilly Behnke, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2020 | 17h45

BRASÍLIA - O ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, esteve neste domingo, 24, em um ato pró-governo ao lado do presidente Jair Bolsonaro, contrariando as recomendações do próprio Ministério da Saúde e da Organização Mundial de Saúde (OMS) de evitar aglomerações durante a pandemia do novo coronavírus. Pazuello não é médico, mas permaneceu no posto após o ex-ministro Nelson Teich se demitir no dia 15 deste mês.

A ida à manifestação ocorre seis dias após atender o desejo do presidente e, em seu primeiro ato como chefe da Saúde, publicar um protocolo liberando o uso da cloroquina para todos os pacientes de covid-19. Em documento divulgado na quarta-feira, 20, o ministério recomenda a prescrição do medicamento desde os primeiros sinais da doença causada pelo coronavírus.

A pandemia, segundo dados de sábado, 23, já matou 22.412 pessoas no País. Há 354.460 casos confirmados da covid-19 e o Brasil é o segundo no mundo em casos de contaminação. Apesar dos números, Bolsonaro é a favor do fim do isolamento social e, frequentemente, sai para atos e passeios pelo comércio. No sábado, Bolsonaro causou aglomeração ao comer um cachorro-quente na Asa Norte, em Brasília, sob gritos de apoio e vaias.

Dois ministros da Saúde, os médicos Luiz Henrique Mandetta e Nelson Teich, se demitiram por não concordarem com o fim do isolamento e a ampliação da cloroquina. Ainda não há comprovação científica da eficácia do medicamento contra a doença, mas o Ministério da Saúde alegou, no documento, que o Conselho Federal de Medicina autorizou recentemente que médicos receitem a seus pacientes a cloroquina e a hidroxicloroquina, uma variação da droga.

De máscara, Pazuello, conforme imagens feitas pelo Estadão, saiu de helicóptero do Palácio de Alvorada junto com o presidente, o ministro Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), e o deputado federal Hélio Lopes (PSL-RJ).

A aeronave pousou em uma área próxima à vice-presidência e o grupo seguiu andando até a frente do Palácio do Planalto onde estavam concentrados os apoiadores. O ato deste domingo foi esvaziado, segundo mostram imagens aéreas compartilhada nas redes sociais do presidente.

Durante a manifestação, o ministro foi flagrado com o celular direcionado para o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, que também esteve no local. Pazuello, no entanto, não estava perto quando presidente se aproximou da grade de segurança para cumprimentar os apoiadores.

No ato com a participação do ministro interino da Saúde, Bolsonaro tirou a máscara, que é de uso obrigatório no Distrito Federal. O não uso do acessório pode gerar multa de até R$ 2 mil. Em cerca de 30 minutos, o presidente cumprimentou pessoas com as mãos, parou para fotos e pegou pelo menos duas crianças no colo.

Dois deputados confirmaram se tratar do ministro Pazuello na manifestação. O Estadão procurou o Ministério da Saúde e o próprio ministro, mas até o fechamento desta reportagem não houve retorno.

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