Ueslei Marcelino/Reuters
Ueslei Marcelino/Reuters

Após críticas de Carlos, Jair Bolsonaro prestigia general Heleno

Presidente evita amplificar nova crise envolvendo a ala militar do governo e seu filho Carlos, que criticou o GSI no caso do sargento preso com cocaína na Espanha

Julia Lindner e Teo Cury, O Estado de S.Paulo

02 de julho de 2019 | 14h44
Atualizado 03 de julho de 2019 | 09h53

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro evitou  dar vazão a mais uma crise envolvendo seu filho Carlos Bolsonaro e a ala militar do governo. Após o “02” levantar suspeitas da participação do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) para acobertar o sargento preso na Espanha com 39 kg de cocaína em um avião presidencial, Bolsonaro demonstrou respaldo ao ministro Augusto Heleno, responsável pela pasta.

O presidente conversou com o ministro reservadamente e também apareceu publicamente ao seu lado em pelo menos duas ocasiões, embora ambos tenham evitado declarações a respeito. “Pergunta pra ele (Carlos)”, disse Bolsonaro, interrompendo um jornalista que tentou questioná-lo sobre o assunto. Ao seu lado, Heleno também se negou a falar.

Os dois participaram de reunião no Ministério da Defesa no início da tarde. O encontro foi seguido de um almoço. À noite, Bolsonaro incluiu Heleno na comitiva que foi a Belo Horizonte acompanhar a partida entre Brasil e Argentina, válida pela semifinal da Copa América.

O porta-voz da Presidência, Otávio do Rêgo Barros, afirmou que Bolsonaro tem um “apreço especial” por Heleno, com quem fala diariamente. “Isso, claramente, deixa ao general Heleno a sensação e a certeza da confiança do presidente no trabalho que ele desenvolve”, disse. 

O mal-estar com os militares foi causado por uma postagem de Carlos em suas redes sociais. O vereador do Rio de Janeiro comentou um vídeo em que uma ex-candidata a deputada pelo PSL aponta a participação do GSI no episódio que levou à prisão do segundo-sargento da Aeronáutica Manoel Silva Rodrigues, flagrado com cocaína em sua bagagem. O militar fazia parte de uma equipe que daria apoio à comitiva presidencial que foi à reunião do G-20, no Japão.

“Por que acha que não ando com seguranças? Principalmente oferecidos pelo GSI?”, questionou Carlos. Sem citar diretamente o nome de Heleno, o vereador afirmou que a grande maioria dos integrantes do Gabinete de Segurança até pode ser bem intencionada, mas eles “estão subordinados a algo que não acredita”.

Segundo militares do governo, embora o ataque tenha partido de um filho do presidente, a avaliação é de que Carlos fala sobre assuntos que desconhece e por isso não merece crédito. Também lembram que Heleno é visto, nos bastidores, como uma espécie de mentor do presidente.

Esta, porém, não é a primeira vez que Carlos faz ataques a militares que integram o governo do pai. O vice-presidente Hamilton Mourão é alvo frequente do filho “02” de Bolsonaro e o ex-ministro da Secretaria de Governo Santos Cruz foi demitido após desentendimentos com o vereador.

Em mensagem distribuída nesta terça-feira, 2, e revelada pela revista Época, general Luiz Eduardo Rocha Paiva, integrante da Comissão de Anistia do governo, chamou Carlos de “idiota inútil” e “pau-mandado do Olavo”, em referência ao escritor Olavo de Carvalho, guru do bolsonarismo. 

Procurado, Carlos não se manifestou sobre o assunto.

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