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Normas de embarque devem ser revistas após caso de sargento com cocaína em avião da FAB

Sargento da ativa saiu de Brasília e foi preso ao chegar em Sevilha pelo transporte de droga na aeronave militar

Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2019 | 15h28

BRASÍLIA – A Força Aérea Brasileira (FAB) abriu um Inquérito Policial Militar (IPM) para investigar a prisão do 2.º sargento da Aeronáutica de iniciais M.S.R. em Sevilha, na Espanha, após ter chegado ao país com 39 quilos de cocaína em sua bagagem pessoal na manhã de terça-feira, 25.

Um dos focos da investigação é o embarque e transporte da droga na aeronave militar, que foi para a Espanha com três equipes de tripulação que trabalhariam na comitiva do presidente Jair Bolsonaro durante a segunda etapa da viagem ao Japão, onde participará de reunião do G-20.

O sargento, que é comissário de bordo, não atenderia ao avião presidencial, mas ao avião reserva. De acordo com uma das fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast, o episódio certamente levará a uma revisão das normas de embarques em aviões militares e da comitiva presidencial.

Segundo informações repassadas ao governo brasileiro, o sargento foi ouvido nesta quarta-feira, 26, em Sevilha, onde está preso. Não se sabe ainda por quanto tempo ele permanecerá na unidade. O Ministério das Relações Exteriores também está acompanhando o caso, já que se trata de cidadão brasileiro que tem direito a assistência consular cabível, como qualquer outro cidadão detido pelas autoridades espanholas.

Internamente, todos lembram que se trata da investigação de um traficante de drogas que usou aeronave militar para cometer o delito, o que já seria grave em qualquer lugar. O caso se torna mais grave, na avaliação das fontes ouvidas, pelo crime ter ocorrido com um sargento da ativa e em um avião militar.

Normalmente, a fiscalização de bagagens é feita de maneira aleatória nas aeronaves. A primeira avaliação, segundo apurou o Estadão/Broadcast, é de que não houve vistoria nas bagagens que estavam no avião EMB-190 do Grupo de Transportes Especiais (GTE), que saiu de Brasília com as três tripulações.

A primeira equipe era integrada pelo pessoal que assumiria o voo do avião presidencial, o Airbus A-390 que faria o trecho entre Sevilha e Osaka, no Japão. A segunda equipe, onde M.S.R. trabalhava, atenderia ao avião reserva da comitiva. A terceira embarcaria no próprio EMB-190, que levaria de Sevilha para Osaka o escalão avançado da Presidência, que receberia o presidente Bolsonaro no Japão.

Com a descoberta da droga, o sargento foi preso, mas todos os demais integrantes da equipe foram liberados. Em razão do problema, o governo brasileiro decidiu trocar o local de escala técnica do avião presidencial de Sevilha para Lisboa na manhã desta quarta-feira. As tripulações que atenderiam aos aviões presidencial e reserva foram para Lisboa. A terceira equipe foi de Sevilha para Osaka, como escalão avançado, para esperar a chegada de Bolsonaro e comitiva.

O episódio foi discutido na reunião de rotina do Alto Comando da Força Aérea, realizada em Brasília para tratar de promoções e assuntos administrativos. A indignação e revolta de todos é com o fato de um militar de carreira estar usando aeronave militar para transportar drogas, atitude considerada passível de expulsão da Força, com prisão.

Além disso, há o problema político, pelo fato de o sargento estar escalado na equipe que atende ao escalão avançado e de reserva do presidente da República. Por isso, avalia-se que será preciso reavaliar os procedimentos no embarque de bagagens em aeronaves militares e em viagens presidenciais. Não há ainda uma decisão do que será alterado.

O Ministério da Defesa e a FAB informaram que o militar foi detido “por suspeita de envolvimento no transporte de substância entorpecente” e salientaram que “repudiam condutas dessa natureza”, reforçaram o “compromisso com o rigor das investigações, na aplicação do regulamento e na apuração e elucidação do caso”.

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