Rafael Arbex / Estadão
Rafael Arbex / Estadão

Análise: imersos em crise e incertezas

Condenação de Lula suscitou uma enorme expectativa acerca de como os eleitores reposicionariam suas preferências

Marco Antonio Teixeira*, cientista político

31 Janeiro 2018 | 22h09

A condenação de Lula pelo TRF-4, que pode implicar a impugnação do registro de sua candidatura a presidente com base na Lei da Ficha Limpa, suscitou uma enorme expectativa acerca de como os eleitores reposicionariam suas preferências num cenário sem a presença do petista.

+++ Lula tem 37%, Bolsonaro 16%, Marina 8% e Alckmin 6%, diz pesquisa

Os resultados da primeira sondagem para as eleições pós-TRF-4, divulgados pelo Datafolha nesta quarta-feira, 31, são reveladores do grau de incerteza acerca do comportamento do eleitor enquanto o imbróglio em torno de Lula persistir. A condenação do petista não interferiu em suas intenções de voto. É provável que a exclusão do petista possa provocar o avanço do prestígio de outras candidaturas a ponto de ameaçar rapidamente o lugar de Jair Bolsonaro no segundo turno.

+++ Bolsonaro pede ao TSE para barrar divulgação de pesquisa do Datafolha

Os maiores beneficiários da exclusão do ex-presidente Lula são Marina Silva e Ciro Gomes. As razões são bem evidentes. Marina foi fundadora do PT, senadora eleita pelo partido e ex-ministra do Meio Ambiente. Ciro Gomes tem sido aliado de governos do PT.

+++ Doria minimiza desempenho tucano em pesquisa eleitoral

Entretanto, a exclusão de Lula não afeta apenas o deslocamento da preferência de eleitores. A pesquisa revela que 32% dos brasileiros podem não validar seus votos. Esse número supera os 20% de Jair Bolsonaro, que passou a liderar as intenções de voto. Talvez a indicação mais preocupante seja a de que estamos imersos numa crise que ainda não sabemos aonde vai nos levar.

*MARCO ANTONIO TEIXEIRA É CIENTISTA POLÍTICO E COORDENADOR DO CURSO DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DA FGV-SP

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.