Cesar Itiberê
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Bastidores: Impacto de greve preocupa aliados, que querem Temer longe dos palanques

No MDB, partido do presidente, há quem defenda até a demissão do presidente da Petrobrás, Pedro Parente

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

29 Maio 2018 | 20h50
Atualizado 30 Maio 2018 | 12h05

BRASÍLIA - A greve dos caminhoneiros e a paralisação dos petroleiros, prevista para começar nesta quarta-feira, não apenas prejudicam a economia como terão impacto na campanha eleitoral de outubro. Com esta avaliação, integrantes do MDB - partido do presidente Michel Temer - já defendem, a portas fechadas, a demissão do presidente da Petrobrás, Pedro Parente. Querem, ainda, que Temer fique bem longe dos palanques de candidatos do MDB nos Estados.

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O assunto voltou a aparecer nesta terça-feira, em reunião da bancada do MDB na Câmara. Temer, no entanto, descarta a possibilidade de dispensar Parente. Ao chegar para o encontro, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, tratou de acalmar os mais exaltados. Admitiu que a greve poderá causar estragos na campanha do ex-titular da Fazenda Henrique Meirelles, postulante do MDB à Presidência, mas ressalvou que ninguém ganha com a crise. “Para a política, o que está acontecendo é um jogo de perde perde”, disse Marun.

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Na hora em que o ministro chegou para a conversa com a bancada do MDB, Temer ainda estava reunido, no Palácio do Planalto, com os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE). Ali foi produzida uma nota conjunta na qual Temer, Maia e Eunício procuraram aparar as arestas em público, após dias de estocadas entre o Planalto e o Congresso.

“Neste momento, os Poderes Executivos e Legislativo estão unidos na defesa dos interesses nacionais. Assumem o compromisso de aprovar e colocar em prática, no menor tempo possível, todos os itens do acordo”, diz um trecho do documento, assinado pelos três. “O Brasil está todo em choque. É preciso muita calma, muito diálogo”, argumentou Eunício, pouco antes de o Senado aprovar o projeto que aumenta impostos da folha de pagamento de diversos setores da economia. Ficou combinado que Temer vetará trecho da proposta referente à isenção do PIS/Cofins sobre o óleo diesel, antes avalizada pela Câmara.

“Vai vetar porque é inconstitucional”, anunciou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (MDB-RR). “Para fazer o encontro de contas, o presidente vai indicar outra fonte de recursos e cumprirá o acordo com os caminhoneiros.”

No auge da tensão, o deputado Beto Mansur (MDB-SP), um dos vice-líderes do governo na Câmara, chegou a sugerir a Temer que convoque o Conselho da República se o impasse persistir, além de  ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Compete ao Conselho da República se pronunciar sobre intervenção federal, estado de defesa e de sítio e também a respeito de “questões relevantes para a estabilidade das instituições democráticas”.

Em fevereiro, depois de muita polêmica, Temer chamou o colegiado para apresentar o plano de intervenção na segurança pública do Rio. Não fez, porém, qualquer consulta sobre a medida, pois tudo já estava decidido.

“Estamos há quatro meses da eleição e temos de ter a cabeça no lugar”, afirmou Mansur. O deputado admitiu receio de que infiltrações políticas nos movimentos grevistas se transformem em um “levante” contra Temer, puxado pelo mote da “intervenção já”.

“As Forças Armadas no Brasil estão muito afinadas com o presidente, mas há nas ruas uma parcela de extrema-direita pedindo intervenção federal e a volta dos militares”, comentou ele, em uma referência indireta aos simpatizantes do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). “Já vi esse filme antes e, como gato escaldado tem medo de água fria, é bom botar o cobertor.”

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