Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

Polícia prende sete 'infiltrados' na greve dos caminhoneiros no MA

Ministro da Secretaria de Governo Carlos Marun afirma que essa é a prova de que existem infiltrações no movimento

Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

29 Maio 2018 | 15h05

Uma operação policial para desobstruir rodovias em Bacabeira, no Maranhão, prendeu sete manifestantes que não eram caminhoneiros. O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, afirmou que foi necessário o uso da força na ocasião. "É prova de que as palavras do presidente da Abcam são certas. Existe sim infiltração indevida no movimento", disse Marun, numa referência às declarações dadas ontem pelo presidente da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), José da Fonseca Lopes, que relatou que havia um grupo muito forte de intervencionista, infiltrados, prendendo caminhões e ameaçando caminhoneiros.

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Além da paralisação, governo está se vendo obrigado a lidar com um novo problema que são as manifestações alheias aos caminhoneiros, chamados de 'infiltrados', que já provocaram confrontos entre manifestantes e policiais em pelo menos quatro pontos do País. Além de Bacabeiras, houve conflito em Seropédica e Barra Mansa, no Rio de Janeiro e em Rio Branco, no Acre. 

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O chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, Ademir Sobrinho, informou que existem agora três bloqueios totais de estradas na BR-070, saída do Distrito Federal para Goiás, em Minas Gerais e no Ceará e assegurou que “nenhum deles é feito por caminhoneiros”.

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Sérgio Etchegoyen, afirmou há pouco que há no País hoje oito corredores de abastecimento abertos e funcionando. "Claro que pode ter um problema momentâneo em um ou outro", ressaltou, durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto.

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Ele esclareceu que, quando fala em corredor de abastecimento, esses lugares praticamente começa a eliminar a escolta, porque os corredores estão seguros. "São vias em que é possível transitar sem escolta", completou.

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Segundo ele, pelas informações recebidas pelo gabinete de monitoramento da crise de abastecimento, neste momento, o fornecimento de gás e óleo diesel, por exemplo, no Distrito Federal, caminha para normalização e o tempo e abastecimento de veículos particulares é menor.

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Ainda sobre o transporte de cargas nas estradas do País, Etchegoyen informou que hoje está sendo escoltado e transportado o dobro de carga em relação a ontem. "Isso dá uma medida do retorno do movimento dos caminhões, do trânsito, da disponibilidade de caminhões que vem crescendo nessa jornada", disse.

Com relações às manifestações de pessoas de fora do movimento, que estariam criando resistência ao fim da greve, o ministro disse que há informações de todos os pontos do Brasil onde há infiltrações. "Lidamos muito mais com manifestações não caminhoneiras, que têm buscado obstruir vias e atrapalhar trânsito. São manifestações oportunistas, que têm articulação entre si e serão encaradas como obstrução à normalização do abastecimento no País", disse.

Etchegoyen informou ainda que neste momento está ocorrendo uma reunião com o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, para respaldar a ação da Advocacia Geral da União (AGU) sobre as multas a serem aplicadas aos caminhoneiros que permanecerem parados nas estradas. Segundo ele, é importante a multa ser aplicada e com a comprovação de que o caminhão está parado.

Questionado sobre o risco de contágio das manifestações, Etchegoyen disse que esse risco ainda não é tido como algo que acontecerá de imediato. E voltou a falar dos "infiltrados" no movimento dos caminhoneiros, destacando que são situações pontuais em determinados lugares escolhidos para prejuízo ao abastecimento. "Se isso é fruto de uma grande articulação ou carona no ambiente de contestação, de protesto, é difícil de avaliar. Mas hoje, no dia de hoje, o problema é muito menos dos caminhoneiros e mais das ações de oportunistas que tentam atrapalhar a volta à normalidade", disse.

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