Ascom TRF1; Luis Fortes / MEC; Dida Sampaio / Estadão
Ascom TRF1; Luis Fortes / MEC; Dida Sampaio / Estadão

Além de Kassio Marques, relembre políticos que 'inflaram' seus currículos

Indicado ao STF cita curso de pós-graduação que universidade espanhola nega existir; relembre outras figuras públicas cujas qualificações tinham incongruências

João Ker, O Estado de S.Paulo

30 de junho de 2020 | 12h55
Atualizado 06 de outubro de 2020 | 22h14

Indicado pelo presidente Jair Bolsonaro ao Supremo Tribunal Federal (STF), o desembargador Kassio Nunes Marques cita em seu currículo um curso de pós-graduação que a Universidad de La Coruña, na Espanha, nega existir. Segundo a instituição europeia, a única ligação de Kassio Marques com a universidade foi a participação, como ouvinte, de um curso de quatro dias.

Além do desembargador, figuras como Abraham WeintraubRicardo VélezDilma Rousseff também inflaram seus currículos. O caso mais recente foi o de Carlos Alberto Decotelli, cujas inconsistências inviabilizaram a posse como ministro da Educação. Decotelli foi anunciado por Bolsonaro como doutor pela Universidade Nacional de Rosário, na Argentina, mas como afirmado pelo próprio reitor da instituição ao Estadão, o título atribuído a Decotelli era falso e o curso nunca foi concluído.

Abaixo, relembre outros casos de figuras públicas que mentiram no currículo:

Abraham Weintraub, ex-ministro da Educação

O antecessor de Decotelli na cadeira do MEC foi apresentado pelo presidente como doutor e professor universitário “de ampla experiência em gestão”. Entretanto, Abraham Weintraub nunca recebeu título de doutor por nenhuma universidade, como mostrou reportagem da revista Época

Após o erro ter sido apontado, Bolsonaro retificou a informação em suas redes sociais. Mas essa não era a única inconsistência no currículo do ministro e,dias depois, ele foi acusado de se “autoplagiar” publicando o mesmo artigo em mais de uma revista. 

Ricardo Vélez Rodríguez, ex-ministro da Educação

O primeiro ministro da Educação no governo Bolsonaro contava com pelo menos 22 informações falsas em seu currículo, de acordo com levantamento do Nexo. Em março de 2019, Vélez tinha atribuído a si mesmo a autoria de livros que não foram escritos por ele, e listou artigos publicados em periódicos sem reconhecimento científico. 

Damares Alves, ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos

Antes de se unir ao governo de Jair Bolsonaro como ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, a então palestrante Damares Alves se apresentava como "advogada", "mestre em educação",  "em direito constitucional” e “direito da família". Em janeiro de 2019, entretanto, ela confessou à Folha de S. Paulo que os títulos não foram conquistados em uma universidade, mas sim em leituras da bíblia. “Nas igrejas cristãs é chamado mestre todo aquele que é dedicado ao ensino bíblico", afirmou.

Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente

Ao contrário do que dizia, o atual ministro do Meio Ambiente nunca foi sequer matriculado como aluno de mestrado na Universidade de Yale, uma das mais concorridas nos EUA. A informação inicial constava em um artigo assinado pelo próprio Ricardo Salles na Folha de S. Paulo e foi usada durante sua participação no programa Roda Viva, mas desmentida posteriormente em reportagem do The Intercept Brasil. Questionado, o ministro culpou sua assessoria de imprensa pelo erro. 

Dilma Rousseff, ex-presidente

Quando ainda era pré-candidata à presidência, em 2009, o currículo da então ministra da Casa Civil contava com um mestrado e um doutorado em ciência econômicas pela Unicamp. As informações, replicadas na Plataformas Lattes, eram falsas. Apesar de ter estudado na universidade após o bacharelado na UFRGS, Dilma Rousseff não chegou a concluir os cursos.

Wilson Witzel, governador do Rio

Harvard também foi a instituição escolhida por Wilson Witzel (PSC) para inflar seu currículo Lattes, onde ele afirmava que parte do seu doutorado na Universidade Federal Fluminense (UFF) foi cursado na instituição dos EUA. Entretanto, a informação era falsa e foi denunciada pelo jornal O Globo

Questionada, a assessoria do ex-juiz federal negou que houvesse erro no currículo, mas admitiu que iria corrigir a informação. “Em seu projeto inicial de doutorado, ele incluiu a possibilidade de aprofundar os estudos em Harvard, projeto interrompido pela campanha ao governo do Estado, em 2018, quando se encerraram as inscrições para a universidade norte-americana (....). Quando o governador iniciou o doutorado atuava como juiz federal e não tinha como prever que o projeto de estudar em Harvard poderia ser adiado em razão da eleição”, justificou.

Marcelo Crivella, prefeito do Rio

A nível municipal no Rio de Janeiro, o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) também alegou ser doutor em Engenharia Civil pela Universidade de Pretória, na África do Sul, sem nunca ter estudado lá. A informação foi verificada pela Agência Lupa e confirmada pelo ex-bispo, que alegou ter apenas revalidado seu diploma brasileiro na instituição. 

Mesmo após a retratação, sua passagem falsa pela Universidade de Pretória continuou na biografia de Crivella no site da Prefeitura do Rio até 2019. 

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