Isac Nóbrega/Presidência
Isac Nóbrega/Presidência

Ainda no palanque? Tweets mostram que Bolsonaro acha que ainda está em campanha

Sem plano de comunicação para o governo, presidente usa rede social para 'mandar recados' a opositores, criticar imprensa e reforçar seu slogan de campanha eleitoral

Matheus Lara, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2019 | 09h50

Sem plano de comunicação para seu governo, o presidente Jair Bolsonaro costuma utilizar o Twitter como a principal ferramenta para comunicar decisões sobre seu início de gestão. 

Porém, não são raros também os "recados" a grupos políticos adversários, críticas à imprensa e até a replicação de seu slogan de campanha, "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos", nas publicações do presidente. Discurso típico de quando buscava chegar ao cargo que ocupa atualmente.

O tom de quem parece ainda não ter descido do palanque após fazer uma campanha que rompeu paradigmas já causa comentários no Congresso. Bolsonaro tem sido criticado por aliados e até por integrantes de seu partido, o PSL, pelo tom "eleitoreiro".  

Como destaca o Estado nesta segunda, é geral a avaliação de que a falta de um plano de comunicação ajuda a esconder eventuais realizações do governo, enquanto a agenda da crise se sobressai. O receio de auxiliares de Bolsonaro é de que as turbulências na política respinguem nas negociações com o Congresso em torno da proposta de reforma da Previdência.

1 . Lula condenado

O presidente da República replicou, sem comentários, a chamada de uma notícia sobre a nova condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seu principal adversário político. No ano passado, Lula foi impedido de ser candidato a presidente pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com base na Lei da Ficha Limpa. Ele liderava as pesquisas de intenção de voto.

 

2 . 'Ódio do bem'

O presidente da República é fã da página 'Ódio do Bem', que publica, em tom sarcástico, diferentes discursos de opositores de Bolsonaro apontados como contradtórios. 

 

 

3 . Facada

Vítima de um atentado durante a campanha eleitoral em 2018, Bolsonaro fez questão de destacar, após a última cirurgia, que foi atacado por um ex-integrante do PSOL, partido de esquerda com quem rivaliza desde os tempos de deputado.

 

4. Governos passados

O presidente não perde oportunidades para falar de gestões anteriores, como quando as culpa pelo que chama de "crise em todos os sentidos". "Sabemos a dificuldade que é tentar consertar tudo isso."

5 . Slogan de campanha

Em meio a tweets sobre sua agenda oficial como presidente da República, Bolsonaro parece esquecer que já está eleito e solta seu slogan, que também deu nome à coligação vitoriosa no pleito de 2018 com o PRTB, do vice Hamilton Mourão. 

6. Retweet de "recados"

Bolsonaro costuma retwittar publicações de seus ministros, aliados, parentes e apoiadores. Foi assim quando o chanceler Ernesto Araújo afirmou que o "socialismo do Século XXI" do presidente venezuelano Nicolas Maduro estava "ruindo". "Países que adotaram este modelo tiveram miséria generalizada, mentira e opressão", escreveu o chanceler.

7 . "Ele não"

O presidente escreveu contra a "doutrinação ideológica" quando publicou um vídeo em que dois formandos de um curso de Direito levantam uma faixa em que se pode ler "Machistas, racistas, fascistas e homofóbicos não passarão". Os formando dançam ao som de uma música com a letra "Ele não", em referência à campanha que se opôs a Bolsonaro durante o período eleitoral.

O presidente não deixa claro se o motivo de ter se incomodado foi a letra da música ou o protesto em escrito, em que ele não é citado. 

8 - Críticas à imprensa

Assim como Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, Bolsonaro utiliza o Twitter para reclamar da forma como parte da imprensa noticia fatos relacionados a ele.  O Estadão já foi alvo, após noticiar que o governo recuou na decisão de estabelecer mudanças em livros didáticos.

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