Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

ACM Neto diz que Senado era prioridade e que DEM é independente, mas 'não oposição' a Bolsonaro

ACM Neto diz que eleição de Rodrigo Pacheco é um "grande feito" e que partido não deve buscar culpados em relação à posição adotada na Câmara

Regina Bochicchio, O Estado de S.Paulo

04 de fevereiro de 2021 | 10h06

O presidente nacional do DEM, ACM Neto, afirmou que a eleição no Senado, e não na Câmara dos Deputados, era a prioridade do partido durante a definição das Mesas Diretoras do Congresso. Neste sentido, segundo o ex-prefeito de Salvador, o partido conseguiu um "grande feito" com a vitória do senador Rodrigo Pacheco (MG) e deve comemorar, não "buscar culpados" em relação à adesão de parte da bancada ao recém-eleito presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Em entrevista ao Estadão, Neto também negou que o partido tenha negociado a indicação de cargos no governo federal para apoiar o aliado do presidente Jair Bolsonaro  - Lira venceu com o apoio de parte da bancada do DEM, que rachou entre ele e o candidato oficial do bloco, Baleia Rossi (MDB-SP).

“Isso é uma mentira. Podem perguntar a qualquer pessoa do governo se em algum momento eu tratei com qualquer um deles sobre indicação de quem quer que seja. Eu já disse ao presidente da República que não me convide nem para indicar porteiro, imagine ministro. Então, não há hipótese de eu participar de qualquer articulação para indicação de cargos no governo, não existe", disse Neto.

O DEM já possui dois ministros no governo Bolsonaro: Tereza Cristina (Agricultura) e Onyx Lorenzoni (Cidadania). Às vésperas da eleição, o Estadão revelou que o ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, estava ofertando recursos extras a deputados e senadores por votos em Lira, na eleição da Câmara, e Rodrigo Pacheco (DEM-MG), na disputa do Senado. A reportagem teve acesso a uma planilha que apontava o montante de R$ 3 bilhões, divididos entre 250 deputados e 35 senadores. Na lista, havia nomes de parlamentares do DEM.

Na semana anterior à votação, a negociação envolvendo especificamente a bancada da Bahia levou o agora ex-presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a dizer que o DEM corria o risco de virar o "partido da boquinha". Maia se queixava na época do fato de Neto não ter evitado com que os parlamentares de seu Estado apoiassem Lira na disputa.

Ao Estadão, Neto diz que está evitando "buscar culpados" no processo. Segundo ele, apesar de o partido apoiar institucionalmente o deputado Baleia Rossi, a opção da maioria da bancada era distinta - daí porque a opção pela neutralidade, tomada pela Executiva Nacional na noite de domingo, véspera da votação.

“Como presidente, cabia a mim, no desfecho do processo, assegurar a unidade do partido. Evitar que o partido saísse fraturado. E isso aconteceu na medida em que a Executiva Nacional apoiou, por unanimidade, a decisão de não blocar nenhum dos dois candidatos”, disse. Mas, segundo ele, o fato de o partido ter dado votos ao então candidato do governo não significa que o DEM passará a ser base de Bolsonaro, como desejam alguns deputados.

“Nossa posição é e será de independência. Isso sempre foi reforçado por mim depois da eleição do presidente Bolsonaro. Mas ser independente não é ser oposição", reforçou.  De acordo com ACM Neto, a preferência de um ou outro deputado não significa qualquer tipo de sinalização para 2022. “A decisão na (eleição da) Câmara é da bancada de deputados. Em 2022, a decisão será do diretório nacional do partido. Ora nenhuma eu sentei com os partidos que integravam o bloco de apoio a Baleia para discutir 2022. Isso não está na pauta do DEM”.  

Sobre a possível saída de Maia do partido, após não conseguir emplacar seu sucessor, ACM Neto diz não querer especular sobre o assunto, mas trabalha para evitar. "Eu não tenho desejo nem vontade de que Rodrigo saia do partido."

O presidente do DEM avalia que, apesar de todos os rumores e racha durante a eleição na Câmara, o DEM deve comemorar a vitória de Rodrigo Pacheco para a presidência do Senado.  “Eu prefiro evitar, nesse momento, a busca de culpados, mas eu, desde o início, fiz o que tinha de fazer. Sou presidente do partido, a minha posição [institucional] sempre foi diferente da de Rodrigo Maia. Rodrigo era presidente da Câmara e tinha naquele momento o papel de trabalhar pelo candidato que ele apoiava. No meu caso, não sendo deputado, eu tinha que cumprir o meu papel, que é de presidente do Democratas, que sai desta eleição com vitória na presidência do Senado, longe de ser a maioria tanto no Senado quanto na Câmara. Portanto, é um grande feito para o partido."

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