Daniel Teixeira e Taba Benedicto/Estadão
Daniel Teixeira e Taba Benedicto/Estadão

Veja quem declarou apoio a Covas e a Boulos

Candidato do PSOL recebeu apoio de Jilmar Tatto (PT), Marina Helou (Rede) e Orlando Silva (PCdoB), enquanto tucano ganhou respaldo de quase todos os partidos do Centrão

Renato Vasconcelos, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2020 | 09h27
Atualizado 19 de novembro de 2020 | 11h23

Mal havia acabado a apuração dos votos do primeiro turno em São Paulo, apontando Bruno Covas (PSDB) e Guilherme Boulos (PSOL) como os candidatos mais votados na capital paulista, quando as primeiras declarações de apoio aos postulantes para o segundo turno foram confirmadas.

Entre a noite do dia de votação e a manhã da segunda-feira, 16, pelo menos três das principais lideranças do PT na capital paulista já haviam declarado apoio a Boulos, a começar pelo candidato do partido no primeiro turno, Jilmar Tatto.

"Acabei de ligar para Guilherme Boulos, a quem tenho como um irmão mais novo. Desejei sorte e disse que ele pode contar comigo e com a nossa valente militância para virar o jogo em São Paulo", escreveu Tatto no fim da noite do domingo.

O comentário do petista nas redes sociais foi respondido e endossado pelo ex-prefeito da capital Fernando Haddad, que também convocou os eleitores petistas a votarem no candidato do PSOL. "Progressistas, ninguém arreda o pé de São Paulo até a vitória de Guilherme Boulos e a derrota dos tucanos. Vamos à luta", disse.

O apoio petista a Boulos ainda foi reforçado por Eduardo Suplicy, vereador mais votado em São Paulo nesta eleição, com mais de 167 mil votos. "Expresso meu integral apoio ao Guilherme Boulos 50 e a Luiza Erundina neste segundo turno para a prefeitura de São Paulo. Disponho-me a colaborar com toda minha energia para que venham a construir uma São Paulo fraterna, justa e solidária."

Mas nem só o PT declarou apoio a Boulos. A candidata da Rede na capital paulista, Marina Helou, confirmou a aliança do partido com o candidato. "O projeto de Boulos e Erundina não só resgata o compromisso com quem mais precisa, garantindo oportunidades iguais para paulistanos e paulistanas, como rompe com uma lógica de acordos e negociações prévias", escreveu.

Pelo lado de Covas, que articulou a maior coligação da capital paulista no primeiro turno, com apoio de siglas tradicionais como MDB e DEM,  o principal endosso à campanha foi do Republicanos, de Celso Russomanno, confirmado na terça-feira, 17. Em nota, o partido do 4º candidato mais votado na capital - com 10,5% dos votos válidos - diz que "entende que moderação e equilíbrio são fundamentais para que a cidade possa avançar" e que Covas "é a pessoa mais preparada para isso".

Além do Republicanos, a campanha de Covas também recebeu o apoio do Solidariedade, partido que integrava a coligação liderada pelo ex-governador Márcio França (PSB) no primeiro turno. O endosso à campanha foi confirmado nessa quarta-feira, 18, pelo presidente municipal do partido, Pedro Nepomuceno. "São Paulo é a maior cidade do País e tem que lutar contra o extremismo e o radicalismo. E o Bruno Covas, que é de centro, reúne as qualidades que um prefeito precisa", afirmou ao Estadão.

Nesta quinta-feira, 19, o PSD, do ex-prefeito Gilberto Kassab, também confirmou o apoio do partido ao candidato a reeleição. Em nota, o presidente municipal da sigla, Alfredo Cotait Neto, afirmou que a decisão foi tomada após consulta a lideranças partidárias. " Covas tem hoje a experiência necessária para comandar a capital no enfrentamento de adversidades muito expressivas no campo da saúde pública, tendo como principal preocupação essa terrível pandemia do coronavírus, seus efeitos sobre a economia do município, além das demandas em campos como educação, habitação, mobilidade urbana e infraestrutura", escreveu. 

O partido lançou candidatura própria no primeiro turno, com Andrea Matarazzo. Filiado ao PSDB por 25 anos, ele já havia declarado voto em Covas antes do anuncio oficial do partido.

Com os novos respaldos, o prefeito de São Paulo confirma o apoio de quase todos os partidos do Centrão. Já integravam a coligação tucana no primeiro turno PP, DEM, PL, PSC e Pros. Outro parido do bloco, o PTB, que integrou a chapa de Russomanno no primeiro turno, não se manifestou. A sigla é presidida por Roberto Jefferson, um dos principais aliados do presidente Jair Bolsonaro, que faz oposição a João Doria e Bruno Covas.

Possibilidades

Candidato mais votado entre os que não alcançaram o segundo turno, Márcio França - terceiro colocado na disputa com 13,64% - pode ter um peso decisivo no segundo turno, se conseguir transferir seus votos para um dos candidatos. Até o momento, França não declarou apoio a nenhum dos candidatos restantes.

O PSOL espera decisões do PCdoB, PDT e PSB. Lideranças importantes do PCdoB, como o candidato Orlando Silva, já declararam apoio a Boulos. A cúpula do PDT também defende adesão ao candidato do PSOL no segundo turno, mas ainda espera uma decisão do PSB, legenda com a qual se coligou em diversas capitais no primeiro turno. Os dois partidos só devem se posicionar quinta-feira, 19.

Sem apoio

A candidata Joice Hasselmann (PSL), que conquistou menos de 2% dos votos, parabenizou os dois candidatos na madrugada de segunda-feira, 16, após a apuração. No entanto, Joice afirmou que não considera nenhum deles como o melhor para São Paulo.

O deputado Arthur do Val (Patriota), o 'Mamãe Falei', conquistou a 5ª colocação no pleito, com 9,78% dos votos válidos. Em entrevista à Rádio Eldorado ontem, do Val declarou "repúdio" aos candidatos que vão disputar o segundo turno e disse que não vai declarar apoio "de jeito nenhum".

"Eu não acho que nenhum dos dois seja merecedor de sequer um aceno da minha parte ou de qualquer pessoa que me siga", disse. Ele classificou Covas como "o pior prefeito da história de São Paulo" e falou que Boulos é um "invasor de propriedade". "Não acredito que esses dois candidatos sejam legítimos de qualquer liderança", falou à rádio. 

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