Andre Penner/AP Photo
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'Vai dar ‘crush’ em quem admira esse sujeito?', diz campanha de Alckmin sobre eleitor de Bolsonaro

Comercial do presidenciável Geraldo Alckmin critica eleitor masculino do candidato do PSL

Adriana Ferraz e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2018 | 15h49

A campanha do ex-governador Geraldo Alckmin, presidenciável do PSDB, vai veicular no rádio um comercial que critica o eleitor masculino do deputado Jair Bolsonaro e acusa o candidato do PSL à Presidência da República de “agredir mulher”, em uma estratégia clara para atrair o voto feminino. Segundo a última pesquisa Ibope/Estadão/TV Globo, Bolsonaro tem a preferência de 28% dos eleitores homens, enquanto apenas 13% das mulheres dizem que pretendem votar no deputado.

Nessa inserção, duas amigas conversam sobre um aplicativo de paquera quando encontram um “gatinho” que vota em Bolsonaro. “Miga, sua louca, Bolsonaro agride mulher, xingou uma repórter e disse que não estuprava uma deputada porque ela não merecia. Você vai dar crush (combinar) num cara que admira esse sujeito? Se ele pensa igual ao Bolsonaro, ele pode agir como o Bolsonaro. Deus me livre”, diz o comercial.

Em seguida, a amiga indica a outra que ‘volte para o aplicativo’ e escolha um “cara mais centrado, cabeça no lugar, que curta o Geraldo”, sugestão aceita e comemorada por ambas. Em uma tentativa de criar empatia com Alckmin, a campanha adotou o mote “cabeça e coração” e segue, em outras inserções, com mensagens contra o presidenciável que lidera as intenções de voto no cenário sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso e condenado pela Operação Lava Jato.

“As coisas não se resolvem na bala, e sim com equilíbrio, planejamento e trabalho”, informam os comerciais. Em pelo menos metade das inserções já prontas para veiculação nas emissoras de rádio no primeiro dia do horário eleitoral gratuito, o tom é agressivo contra o deputado federal, que também lidera as pesquisas em São Paulo, Estado que Alckmin governou por quatro mandatos ao longo de 13 anos não consecutivos.

Em três dessas produções, cidadãos são mostrados em seu limite diante dos serviços de má qualidade prestados pelo governo e da crise econômica, que tornou 13 milhões de brasileiros desempregados. Num deles, uma mulher sugere que pode “fazer uma besteira” diante da demora do sistema público de saúde de prestar socorro à sua mãe doente. Nessa hora, o som de um revólver sendo carregado indica que a situação pode terminar em violência e tragédia para apresentar, então, Geraldo Alckmin como a solução, já que as “coisas não se resolvem na bala.”

O mesmo modelo é usado em outra situação, quando um homem diz que as tentativas frustradas de arrumar emprego vão dando um “ódio, um nó, uma coisa ruim, um não sei o que na cabeça e uma vontade de..” Em seguida, o mesmo som de revólver e a mesma proposta de solução.

Em função das alianças que formou, Alckmin é o candidato com mais tempo em cada bloco do horário eleitoral e também com mais inserções ao longo de todo o período eleitoral. Serão 434 no total, ou 12 inserções diárias até às vésperas da eleição. Já Bolsonaro tem uma inserção a cada três dias e oito segundos em cada programa.

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