Cleia Viana/Câmara dos Deputados
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'Suspender as eleições é inevitável', diz presidente da Confederação dos Municípios

Glademir Aroldi questiona 'clima' para realização das eleições em outubro; ministro da Saúde também defendeu adiamento do pleito

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2020 | 16h19

BRASÍLIA - O presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Glademir Aroldi, avaliou nesta segunda-feira, 23, como “inevitável” a suspensão das eleições municipais de outubro, por causa do novo coronavírus. A ideia foi defendida pelo ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e discutida por dirigentes partidários.

"Eu entendo que a suspensão da eleição é inevitável. Se aquilo que está sendo projetado se confirmar, não há possibilidade de acontecer eleições", afirmou Aroldi ao Estadão/Broadcast Político, citando a projeção de picos da doença em julho e agosto no Brasil e a estabilização em setembro. “Será que tem clima no Brasil para realização de uma eleição? Quanto custa uma eleição para o País? Esse dinheiro não deveria ser usado para o combate ao coronavírus, para tratar da saúde das pessoas?”, questionou o presidente da CNM.

Pelo calendário da Justiça Eleitoral, a campanha começa oficialmente em 16 de agosto. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro. Antes, porém, há prazos importantes que os candidatos precisam cumprir, como o da filiação. O prazo de seis meses antes da eleição para que o político que queira concorrer esteja filiado a algum partido termina no dia 4 de abril

O presidente da CNM disse que a entidade decidiu não encampar oficialmente uma proposta de adiamento das eleições para não sinalizar que está usando a crise do coronavírus em prol dos mandatos de prefeitos. Aroldi destacou, no entanto, que a entidade defende a realização de todas as eleições - de presidente da República a vereador - em um único pleito. 

Neste domingo, 22, o ministro Mandetta sugeriu o adiamento das disputas municipais, sem, porém, apresentar nova data. Para o titular da Saúde, a realização de campanha eleitoral, neste momento, seria uma “tragédia”. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse, porém, que a hora é de se concentrar apenas no combate à pandemia. “Vamos focar agora no tema da saúde”, afirmou Maia, elogiando Mandetta. “Na hora correta, vamos cuidar da eleição.”

Frente

O presidente da Frente Nacional de Prefeitos, Jonas Donizette, pediu, por sua vez, que os R$ 2 bilhões do Fundo Eleitoral sejam transferidos para o Ministério da Saúde, com o objetivo de ajudar no combate ao novo coronavírus. Para Donizette, que é prefeito de Campinas pelo PSB, o adiamento das eleições pode ser decidido mais para frente, se for o caso. 

"Pode até ter eleição neste ano, mas esse dinheiro público teria que ser usado agora no combate à pandemia, que está sendo muito custosa para o contribuinte", disse Donizette.

Na opinião do presidente da Frente Nacional de Prefeitos, a verba do Fundo Eleitoral, reservada no Orçamento para ser entregue a partidos nas campanhas de prefeito e vereador, deveria ser destinada ao Ministério da Saúde e distribuída aos municípios, neste momento. "Não dá para usar dinheiro público para fazer campanha política com o que o País está passando", argumentou Donizette. 

 

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