Gualter Naves/Agência Estado
Gualter Naves/Agência Estado

'Ser associado a Pimentel e Aécio não é algo negativo', diz Marcio Lacerda

Em entrevista ao 'Estado', pré-candidato do PSB ao governo de Minas confirma negociações para lançá-lo como vice de Ciro

Jonathas Cotrim, O Estado de S.Paulo

07 Junho 2018 | 05h04

BELO HORIZONTE - Quando Marcio Lacerda (PSB) concorreu pela primeira vez para a prefeitura de Belo Horizonte, em 2008, conseguiu colocar PT e PSDB em uma mesma coligação, algo que atualmente pode soar surreal diante da polarização da política - dentro e fora de Minas Gerais.

Após oito anos como prefeito da capital mineira, Lacerda é pré-candidato ao governo do Estado e se prepara para enfrentar justamente os partidos que já compuseram sua base. Lacerda também confirma que há conversas para lançá-lo como candidato a vice-presidente, em uma chapa com Ciro Gomes (PDT).

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Em entrevista ao Estado, Lacerda disse acreditar que a eventual associação de seu nome com o de Aécio Neves (PSDB) e Fernando Pimentel (PT) não será um problema.

A seguir, os principais trechos da entrevista:

O sr. realmente cogita sair candidato a vice-presidente de Ciro?

Não é que eu esteja ou não cogitando sair como (candidato a) vice-presidente. Isso não é uma decisão minha. Existe uma negociação entre os dois partidos de uma possível aliança e, nessa negociação, foi colocada como uma hipótese, por parte do PSB, a indicação do meu nome para compor a chapa.

Foi noticiada a aproximação entre PSB e PCdoB em Minas, em uma possível aliança tendo a deputada Jô Moraes (PCdoB) como pré-candidata ao Senado. Como está essa negociação?

Foi iniciativa do PCdoB nos procurar. Nossa relação é boa, pois eles participaram da minha administração no primeiro mandato. O que foi dito a eles é que seriam bem-vindos se quisessem aderir à nossa pré-candidatura, mas essa discussão de posições na chapa majoritária teria de ser uma discussão envolvendo os partidos, não seria uma decisão minha, não tenho autonomia para fazer esse convite.

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Além disso, essa negociação com PCdoB poderia ser também um indício de aproximação, incluindo o PDT, em nível nacional?

Pelo o que sei, existe um clima bastante positivo nas conversas entre os dois.

A possibilidade de o sr. deixar a corrida ao governo para apoiar Pimentel ainda existe?

Isso não tem nenhum fundamento. Em um determinado momento, esse assunto surgiu em função da situação de Pernambuco. Mas o PT queria discutir um apoio do PSB em nível nacional. Mas não prosperou. Então essa troca, PT apoiando o PSB em Pernambuco e vice-versa aqui, nunca teve uma base concreta que chegasse até mim - e isso foi desmentido pela direção nacional do PSB também.

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Quando o sr. ganhou a primeira eleição a prefeitura de Belo Horizonte, foi fortemente apoiado tanto por Pimentel quanto por Aécio e, agora, PT e PSDB se encaminham para uma nova polarização. Como o sr. avalia esse cenário?

Essa polarização entre PT e PSDB foi muito maléfica para o País. Prejudicou, inclusive, a minha gestão frente à prefeitura, principalmente na história da expansão do metrô. Boa parte da crise que enfrentamos hoje tem origem nessa disputa ferrenha.

Hoje, o País sofre com falta de projeto, falta de plano estratégico, falta de um mínimo de busca de consenso entre as elites, na construção de um pacto mínimo de governabilidade, o que seria absolutamente imprescindível para a gente sair dessa crise.

O sr. se considera a 3ª via para o governo de Minas?

Talvez terceira via seja (um termo) muito batido. Talvez eu seja uma opção a essa polarização, isso é colocado por muita gente. Então, crescendo um pouco mais nas intenções de voto, eu posso chegar ao segundo turno. A imagem que eu adquiri como prefeito de Belo Horizonte foi de uma pessoa trabalhadora, honesta, que entregou resultados.

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É um perfil que se adequa à vontade que as pessoas têm de encontrar um candidato para votar, ou seja, um perfil que agrada às pessoas neste momento.

O que o sr. pretende fazer para isolar o fato de ter sido apoiado tanto por Pimentel quanto por Aécio?

Eu não considero isso algo negativo, porque, naquele momento, os dois vinham de administrações bem avaliadas, sem nenhuma mancha no currículo, e eu fui escolhido, pela minha experiência, por ter um perfil técnico, por ser uma pessoa séria, que já tinha trabalhado no governo federal e estadual.

É lógico que as campanhas de baixo nível na internet usam esse tipo de argumento. Mas eu, naquele momento, tive o apoio deles, eles participaram da minha campanha e os aceitei de braços abertos. Acho que honrei esse apoio fazendo uma gestão de resultados e sem nenhuma mancha, sem nenhum processo.

Quais seriam suas primeiras medidas, caso eleito governador?

A crise financeira do Estado é muito grave. Não existe solução mágica para essa crise. É preciso trabalhar para reduzir despesas e incrementar receitas, não por meio do aumento de impostos, mas de estímulo à atividade econômica. A estrutura da economia mineira é muito dependente de eventos internacionais e também do desempenho e da regulação que se faz em nível nacional.

Você junta a isso também um esvaziamento da importância política de Minas Gerais nos últimos 20 anos. Há um conjunto de circunstâncias que torna atividade de governar aqui mais difícil. A principal tarefa do novo governador será trabalhar para que a atividade econômica tenha mais dinamismo e que Minas tenha mais protagonismo nas decisões nacionais.

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