Gabriela Biló/ESTADÃO
Gabriela Biló/ESTADÃO

Sem ultrapassar cláusula de barreira, Rede avalia se fundir ao PV

Possibilidade é tratada nos bastidores, já que o PV obteve quatro deputados federais

Marianna Holanda e Mariana Haubert, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2018 | 13h47

Com apenas uma deputada eleita e sem ter conseguido ultrapassar a cláusula de barreira, o partido de Marina Silva (Rede) avalia uma fusão com o PV. A possibilidade começou a ser aventada nos bastidores, uma vez que os verdes, coligados com Marina nacionalmente, elegeram quatro deputados federais e conseguiram se encaixar novas regras.

A ideia é defendida há algum tempo por alguns interlocutores, afinal a Rede surgiu de uma dissidência do PV, em 2011, quando Marina deixou a sigla após divergências internas. Neste ano, os dos partidos retomaram as conversas pela primeira vez desde então e lançaram Eduardo Jorge (PV) como vice da ex-ministra. Ele atua como a principal ponte entre as duas legendas.

Quando decidiram coligar nas eleições presidenciais, uma das propostas era criar um bloco parlamentar ambientalista na próxima legislatura do Congresso, em contraponto ao crescimento da bancada ruralista. Segundo interlocutores, a união dos dois partidos seria natural. 

“Não há nada ainda formalizado, mas não se descarta (essa possibilidade). Temos uma pauta e agenda em comum. Não vejo nada contra”, disse o senador Randolfe Rodrigues (AP). Ele foi um dos cinco eleitos da Rede ao Senado. 

Um porta-voz adepto desta possibilidade conta que esse tipo de fusão é bem sucedido em diversos países, como no vizinho Uruguai. A Frente Ampla, da qual o ex-presidente Pepe Mujica faz parte, é uma coalizão de partidos e organizações da sociedade civil. No domingo, após o resultado das eleições, Eduardo Jorge afirmou que a coligação Rede-PV reaproximou a área ambientalista no Brasil. "Essa reaproximação já foi uma vitória muito grande nossa", disse.

As conversas devem avançar nas próximas semanas, uma vez que os partidos tenham decidido sobre como se posicionar neste segundo turno, que é uma preocupação mais urgente das executivas. A direção nacional da Rede se reuniu na noite desta segunda-feira, em Brasília, para começar a debater um posicionamento. 

Como funciona a cláusula de barreira

 As novas regras eleitorais determinam que um partido deve conseguir 1,5% de votos distribuídos por nove Estados ou eleger 9 deputados em 9 Estados. As siglas que não conseguirem atingir a marca são, na prática, sufocadas, com a falta de partido e relevância no Congresso. 

O maior capital político da Rede está no Senado, onde elegeu uma bancada de 5 parlamentares. Marina, por sua vez, acabou em oitavo lugar na votação, com pouco mais de um milhão de votos.

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