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Saiba quem são os candidatos a prefeito em Sorocaba

Atual prefeita tenta reeleição após assumir cargo em 2019 no lugar de ex-prefeito cassado. Ao todo, oito candidaturas, sendo três de partido único e cinco coligações, disputam o voto do eleitor

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

28 de outubro de 2020 | 15h34

SOROCABA - A disputa pela Prefeitura de Sorocaba, quarta cidade mais populosa do interior paulista, conta com oito candidaturas registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A atual prefeita, Jaqueline Coutinho (PSL), busca se reeleger após assumir o cargo no ano passado, quando o então mandatário José Crespo (DEM) foi cassado pela Câmara Municipal

Há candidatura com pendência judicial. No dia 23 de outubro, a Justiça Eleitoral aceitou denúncia de fraude e abuso de poder feita pelo Ministério Público Eleitoral contra o candidato do Republicanos, Rodrigo Manga. Ele é acusado ter atuado de forma irregular para obter o apoio do Avante à sua candidatura. 

Saiba mais sobre os candidatos à prefeitura de Sorocaba:

Carlos Pepper (Solidariedade)

O empresário e radialista Carlos Pepper concorre pelo Solidariedade. Ele, que atua politicamente em comunidades de bairros, estreia na política. Ele é considerado o “azarão” entre os candidato. O engenheiro e administrador de empresas Leonildo Nicolette, do mesmo partido, é candidato a vice na chapa.

Flaviano Lima (Avante)

Flaviano Lima é professor da Faculdade de Tecnologia de Sorocaba (Fatec), mestre em economia política e doutorando em ciências ambientais pela Universidade Estadual Paulista (Unesp). Anteriormente, trabalhou como secretário de Educação de Sorocaba.

Jaqueline Coutinho (PSL)

A prefeita de Sorocaba, Jaqueline Lilian Barcelos Coutinho, concorre a um novo mandato pelo PSL. Ela só assumiu a prefeitura em 2019, quando ainda estava no PTB, após a cassação do então prefeito José Crespo (DEM), de quem era vice. Jaqueline tem 54 anos e fez carreira na Secretaria da Segurança Pública de São Paulo. Aos 18 anos, passou em concurso para oficial de Justiça, cursou Direito e, quatro anos depois, foi aprovada em concurso para delegada de polícia.

Ela exerceu a função durante 27 anos, tendo ficado conhecida por sua atuação na investigação de abusos sexuais contra mulheres e crianças e maus tratos contra idosos. Divorciada e mãe de dois filhos, entrou para a política após se aposentar da carreira policial.

Em 2016, entrou como vice na chapa de Crespo. Em 2017, ela foi pivô do primeiro processo de cassação do então prefeito, com quem teve desentendimento devido à contratação de uma assessora. Com o afastamento do prefeito, Jaqueline assumiu a prefeitura por 40 dias, mas a Justiça determinou a volta do titular. Em agosto de 2019, após a cassação definitiva do prefeito, ela voltou à prefeitura para levar o mandato até o fim.

A prefeita também enfrentou processo de cassação por suposto uso de funcionário para serviço particular, mas a Câmara Municipal a absolveu. Em pouco mais de um ano de mandato, conseguiu sanar a crise na Santa Casa, hospital conveniado com o município, e inaugurou o primeiro trecho do BRT, sistema de ônibus rápido.

O candidato a vice é Roberto Freitas, do PSB, que já trabalhou com Jaqueline na prefeitura, como secretário de Desenvolvimento Econômico. Ele também presidiu o Parque Tecnológico de Sorocaba.

Leandro Fonseca (DEM)

O médico pediatra Leandro Fonseca, de 41 anos, candidato pelo DEM, tem forte atuação profissional na rede pública de saúde da cidade. Ele se mudou para Sorocaba em 2007 para cursar a Faculdade de Medicina da PUC, onde se formou. Como médico, atuou em vários hospitais e unidades de saúde, inclusive durante a pandemia, mas é estreante na política. Ele também empresário do ramo de instrumentos musicais e escolheu como vice o consultor de marketing Fernando Baddini, do mesmo partido.

Maria Lúcia Amary (PSDB)

Candidata à prefeitura de Sorocaba pelo PSDB, Maria Lúcia Amary, de 69 anos, é deputada estadual pelo quinto mandato consecutivo. Católica, nasceu em Santos e, ainda jovem, passou a residir em Sorocaba. Professora e advogada, entrou na política pelo PSDB, seu único partido desde 1991. Em 1995, tornou-se a primeira mulher a presidir um partido político em Sorocaba. Casada com o então prefeito tucano Renato Amary, Maria Lúcia presidiu o Fundo Social de Solidariedade e deu ênfase a projetos na área de saúde, como o médico da família, redução de mortalidade infantil e nutrição do recém-nascido.

Em sua estreia na política, candidatou-se a deputada estadual em 1998, mas não se elegeu. Em 2002, foi eleita. Na eleição seguinte, em 2006, fez dobradinha com o então marido, candidato a deputado federal. Ambos foram eleitos. Foi reeleita em 2014 e em 2018, quando chegou ao quinto mandato, apesar do desgaste do partido. Atualmente, é vice-líder do PSDB na Assembleia Legislativa, mas já liderou a bancada tucana na Casa e preside a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar.

Entre as leis de sua autoria estão a que obriga o atendimento especial às mulheres vítimas de violência sexual e que pune bares por venda de bebidas alcoólicas para menores. É também autora da lei que permite protestar dívidas de aluguel e condomínio. Entre os anos de 2003 e 2010, Maria Lúcia presidiu o secretariado estadual das mulheres tucanas e foi vice-presidente do secretariado nacional. Ela recebeu a medalha Ruth Cardoso em razão da luta pelos direitos das mulheres.

Em sua trajetória política, a deputada não se envolveu em polêmicas e passou ilesa por denúncias que atingiram quadros do PSDB. Como candidata, defende medidas para a retomada da economia e da educação no pós-pandemia e se alinha com as medidas do plano de retomada do governador João Doria, de quem tem apoio político. Seu enteado, Flávio Amary, filho de Renato, é secretário estadual da Habitação.

O vice de Maria Lúcia, vereador Anselmo Neto, do Podemos, está no segundo mandato na Câmara. Advogado, ficou conhecido por sua liderança entre leigos da Igreja Católica.

Renan Santos (PDT)

O vereador Renan Santos, de 35 anos, candidato a prefeito pelo PDT, militou em associação de bairro e presidiu um grêmio estudantil quando cursava a graduação em relações públicas. Teve atuação também como professor universitário e diretor do sindicato dos professores de Sorocaba e Região. Em 2016, elegeu-se vereador. Sua vice é a advogada Rosana Batista, do mesmo partido.

Raul Marcelo (PSOL)

O advogado Raul Marcelo, de 41 anos, candidato do PSOL à prefeitura de Sorocaba, nasceu na pequena São Pedro do Turvo e se mudou para Sorocaba ainda criança, no início da década de 1980. Líder estudantil, no início dos anos 1990 participou do movimento “Fora Collor” como integrante da Juventude Operária Católica e ajudou na construção do movimento estudantil Olho Vivo, que fiscalizava as ações do poder público. Em 2000, com 21 anos, ele se elegeu vereador em Sorocaba pelo PT com 1.961 votos. Quatro anos depois, se reelegeu sendo o vereador mais votado à época, com 6.165 votos.

Em 2005, se desligou do PT emigrou para o PSOL Marcelo foi deputado estadual em dois mandatos (2007-2010 e 2015 a 2018), mas ficou na suplência nas eleições de 2018. Esta será a quarta vez que ele disputa a prefeitura de Sorocaba, a primeira em coligação com outro partido. Concorreu em  2008, 2012  e 2016, quando foi para o segundo turno, mas foi derrotado por José Crespo (DEM), posteriormente cassado.

Em seus mandatos, como deputado e vereador, Marcelo se dedicou a temas como saúde, educação, segurança pública e combate à corrupção. Na Câmara Municipal, foi autor da lei que instituiu o feriado municipal do Dia da Consciência Negra. Na Assembleia, participou da CPI da Saúde, apresentando o relatório que serviu de base para a prisão de integrantes de uma quadrilha que atuava em hospitais públicos do Estado, especialmente o Conjunto Hospitalar de Sorocaba. É casado com a advogada e professora Elisa Rosa, com quem tem três filhos.

O candidato a vice, Paulo Eustasia, do PT, é sindicalista, tendo presidido o Sindicato dos Condutores de Sorocaba e Região e atuado na Confederação Nacional dos Trabalhadores do Transporte e Logística.

Rodrigo Manga (Republicanos)

Candidato do Republicanos à prefeitura de Sorocaba, Rodrigo Maganhato, mais conhecido como Rodrigo Manga, de 40 anos, nasceu e sempre viveu na cidade. Graduado em marketing, aplicou os conhecimentos em sua revenda de veículos, na Rua 7 de Setembro, no centro. Apesar de bem sucedido nos negócios, teve vida pessoal atribulada após se tornar usuário de drogas. Com o apoio da Igreja Mundial do Poder de Deus, conseguiu livrar-se do vício, tornou-se missionário e passou a ajudar outras pessoas a vencerem a dependência química. Casado com Sirlange Frate e pai de Giulia e Enrico, ele afirma ter apoiado mais de 10 mil pessoas na batalha contra as drogas.

Em 2012, Manga foi eleito vereador com 4.778 votos. Quatro anos depois, foi reeleito com a maior votação para o legislativo na cidade – 11.471 votos. Na Câmara, ficou conhecido por fazer visitas surpresas a unidades de saúde e dar atendimento direto nos bairros. Em março deste ano, trocou o DEM pelo Republicanos. Durante a pandemia, alinhou-se com o pensamento do presidente Jair Bolsonaro, criticando o isolamento social e fazendo a defesa da cloroquina – ele próprio diz ter se curado da covid-19 usando o medicamento.

Também acumulou polêmicas. Um comitê de direitos humanos pediu a cassação de seu mandato, após ele ter postado vídeo informando que a pandemia era superestimada pela prefeitura e que o hospital referência para covid-19 estava com a UTI vazia. A direção contestou, mostrando que mais de 70% dos leitos estavam ocupados. A Câmara entendeu que o vereador apenas exerceu seu dever de fiscalizar o executivo.

O vice de Manga, Fernando Martins da Costa Neto, do PSD, foi presidente do Esporte Clube São Bento, time de futebol que disputa a série A2 do Paulistão. No meio empresarial, foi idealizador da rede de supermercados Bom Lugar.

 

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