EFE
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Saiba quem é o agressor de Bolsonaro

Adelio Bispo de Oliveira tinha duas passagens pela polícia por lesão corporal, disseminava mensagens de ódio nas redes sociais e foi filiado ao PSOL entre 2007 e 2014

O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2018 | 18h40
Atualizado 08 Setembro 2018 | 15h22

Preso na quinta-feira, 6, por ter ferido com uma facada o candidato Jair Bolsonaro (PSL), o servente de pedreiro Adelio Bispo de Oliveira, de 40 anos, tinha duas passagens pela polícia e era visto como uma pessoa de personalidade forte em sua cidade natal, Montes Claros.

Em agosto de 2013, ele tentou invadir a casa da sogra para agredir a ex-esposa. Em outro registro policial, no mesmo ano, ele e outro homem brigaram e trocaram tapas e socos, ocorrência fichada como lesão corporal dupla. Segundo o major Flávio Santiago, porta-voz da Polícia Militar de Minas Gerais, o caso envolveu a agressão a outro homem por causa de uma cobrança de dívida.

Natural de Montes Claros, ele chegou a trabalhar em uma lanchonete da cidade. "Ele era na dele, não falava muito sobre a vida. Disse que já foi morador de rua e que precisava trabalhar. Ficou comigo por uns quatro meses e depois pediu para sair", disse o dono da lanchonete, que não quis se identificar por medo de represália. 

Nas redes, Adelio publicava mensagens de ódio contra Jair Bolsonaro nos últimos meses. Entre elas, uma em que pedia “pena de morte” ao presidenciável, chamado de “traidor”, “judas” e também constantemente xingado.

A mensagem, postada no dia 16 de julho, reproduz um vídeo editado em que o deputado fala sobre a Amazônia e a base espacial de Alcântara (MA). Ele é acusado de pregar a entrega do patrimônio nacional aos Estados Unidos. Sobre essas imagens, enquanto o parlamentar fala, surge a inscrição: “Jair Bolsonaro traidor – judas pena de morte pra esse fdp (sic)”.

Em outra publicação, ele reproduziu gravação em que Bolsonaro e a também deputada Jandira Feghalli (PCdoB-RJ) debatem na TV sobre a ditadura militar. Oliveira comentou: “Dá nojo só de ouvir dizer que a ditadura deveria ter matado pelos uns 30 mil comunistas”.

Antes da mensagem em que prega a pena de morte ao candidato, Oliveira praticou tiros no Clube e Escola de Tiro.38, em São José (SC), no dia 5 de julho. O clube é frequentado por dois filhos de Jair Bolsonaro – Carlos, vereador no Rio de Janeiro (PSL), e Eduardo, deputado federal (PSL-SP). Ao Estado, o Clube 38 confirmou que Adelio praticou tiros com a supervisão de um instrutor.

Simpatizante de ideologias de esquerda e símbolos comunistas, ele foi filiado, entre 2007 e 2014, ao PSOL de Uberaba (MG), e incentivava protestos na cidade. Também chegou a participar de manifestações contra a corrupção na cidade e em Brasília, em frente ao Congresso Nacional. Publicou ainda imagens de pessoas que defendem a liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso e condenado na Operação Lava Jato.

Em maio, Oliveira postou foto na qual aparece ao lado de uma placa em que se lê “políticos inúteis”. No mesmo dia, ele divulgou outra imagem em que pedia a renúncia do presidente Michel Temer. Em seu perfil, o servente de pedreiro usou a seguinte frase para se definir: “Não importa em que partido tu militas, nem a ideologia que acreditas ou fé que tu praticas, se você tens (sic) prazer no triunfo da Justiça, então somos irmãos”. 

Agressor foi filiado a partido político

O presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros, confirmou que Adelio Bispo de Oliveira foi filiado ao partido entre 2007 e 2014. Segundo o dirigente, no entanto, o suspeito não foi dirigente partidário e ainda não foi possível conhecer os motivos de sua filiação ou desfiliação após sete anos.

"Isso não muda em nada a posição que o partido acaba de divulgar de repúdio ao ato e obviamente nós não nos responsabilizamos nem podemos responder por um ato isolado de uma pessoa que um dia foi filiada ao PSOL", disse Medeiros ao Broadcast Político. "Nós reafirmamos aqui nosso repúdio a esse ato e cobramos que as autoridades tomem as providências que a lei prevê."

Segundo policiais da PM em Juiz de Fora, Adelio disse, em depoimento, que não é ligado a qualquer partido político, e que agiu porque não "simpatiza" com o candidato. Logo após o ataque, policiais que faziam a segurança no local prenderam Adelio. Foi preciso conter a multidão que tentava linchar o agressor. / FELIPE FRAZÃO, BRENO PIRES, FÁBIO LEITE, RENAN TRUFFI e CHRISTINI ANTONINI COM INFORMAÇÕES DA AGÊNCIA BRASIL

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