WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO
WERTHER SANTANA/ESTADÃO CONTEÚDO

João Doria: ‘PSDB está distanciado de sentimento das ruas’

Candidato ao governo de SP, tucano diz que PSDB precisa mudar propostas para se adequar à ‘expectativa da população’

Entrevista com

João Doria, candidato do PSDB ao governo de São Paulo

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2018 | 05h00

O ex-prefeito João Doria, candidato do PSDB ao governo paulista, defendeu em entrevista ao Estado que o partido precisa de um reposicionamento e de uma guinada liberal. O tucano também disse que as lideranças do PSDB que sobreviverem ao “tsunami” de Jair Bolsonaro (PSL) devem ter mais espaço na direção e justificou a ausência de Geraldo Alckmin em sua campanha na TV. 

 

O PSDB viu sua bancada federal e estadual em São Paulo sofrer uma redução drástica e teve sua pior votação em uma eleição presidencial. É o momento de mudar a configuração da executiva do partido? 

O PSDB precisa aprender a lição das ruas e interpretar a sinalização dos eleitores. Independentemente do mau humor da população com os políticos de forma geral, há um distanciamento do PSDB com o sentimento das ruas. É necessário agora dar uma prova de humildade e revisar posicionamento do partido, suas ideias e propostas para o País. 

 

O que seria essa revisão de posicionamento?

O PSDB precisa estar sintonizado com a modernidade e com as expectativas da população. O tema da segurança pública exige uma revisão do PSDB nessa temática. Precisa ser mais duro nas políticas públicas de segurança. Esse é um recado claro.

 

O prefeito de São Bernardo, Orlando Morando (PSDB), defendeu ontem (segunda-feira, 8) mudanças na executiva tucana e a abreviação do mandato de Geraldo Alckmin à frente do PSDB. É o caso?

Não se trata de buscar culpados ou estabelecer vítimas, mas é importante que o PSDB, ao reavaliar o resultado das urnas após o 2° turno, possa reavaliar também o seus comandos. Isso não significa nenhuma censura a executiva nacional do PSDB, mas é importante que essa revisão possa ser feita. E que ela reflita o sentimento das urnas e as lideranças que sobreviveram a esse tsunami. Aqueles que sobreviverem no segundo turno a esse tsunami deverão ter representatividade na direção nacional do PSDB. 

 

O sr. vai para Brasília para participar da reunião da executiva do PSDB. Vai defender lá que a sigla apoie nacionalmente o nome de Bolsonaro no 2º turno? 

Essa é uma decisão do partido, a minha eu já tomei. O meu (apoio) ele terá. É um apoio sem nenhuma contrapartida. Não foi um entendimento com o PSL ou com o candidato. É uma decisão do candidato ao governo de São Paulo. 

 

Alckmin não apareceu na sua campanha durante o primeiro turno na TV. Por quê?

O resultado eleitoral em São Paulo explica. Não havia necessidade de fazer tantas agendas conjuntas aqui. Nós ganhamos a eleição aqui em 1° lugar. A nossa estratégia foi correta. 

 

O seu pai foi um perseguido político na ditadura. As posições do Bolsonaro elogiando torturadores não lhe constrangem? 

Eu declarei apoio ao candidato Bolsonaro por sua posição contra o PT, Haddad e Lula, mas não dei um endosso a todas as suas posições. 

 

O resultado das urna mostra que o PSDB deve dar uma guinada mais liberal e à direita? 

Eu não usaria a palavra direita, mas liberal. O PSDB precisa estar mais sintonizado na modernidade. O mundo que prospera é liberal na economia. 

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