Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

PM diz que crime foi premeditado e PF vai investigar

Servente de pedreiro Adélio Oliveira, de 40 anos, foi preso em flagrante; após o atentado, segurança dos candidatos será reforçada

Ricardo Galhardo e Fabio Serapião, O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2018 | 23h00

A Polícia Federal em Juiz de Fora (MG) instaurou inquérito para investigar o ataque ao candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL), ocorrido na tarde desta quinta-feira, 6. O servente de pedreiro Adélio Bispo de Oliveira, de 40 anos, foi preso em flagrante.

Para a Polícia Militar, o ataque ao deputado foi premeditado. Os policiais estão atrás de telefones celulares, documentos ou qualquer outra pista que possa esclarecer se o autor do crime agiu sozinho ou se teve ajuda. O governador de Minas, Fernando Pimentel (PT), afirmou que Oliveira não “parecia um sujeito equilibrado”.

“Colocamos todo o aparato de segurança do Estado à disposição para elucidar o caso”, disse ao Estado. Pimentel informou ainda que, como o caso envolvia um candidato à Presidência, “o protocolo remete o registro da ocorrência à PF.”

Um dos coordenadores políticos da campanha de Bolsonaro, o deputado federal Delegado Francischini (PSL-PR) disse que vai entrar com representação na Polícia Federal para que seja investigada a possibilidade de o atentado contra o candidato do PSL ser um “crime político”. “Queremos saber se tem um autor intelectual (do atentado). Para nós é um crime político, ele (autor da agressão) foi filiado ao PSOL. Queremos saber se tem alguém acima desse cara, alguém que o induziu”.

Mudança

A facada em Bolsonaro deve obrigar os demais candidatos a se submeterem a normas mais rígidas de segurança, o que pode ter impacto direto na campanha eleitoral. Na hora do ataque, 15 agentes da PF estavam cuidando da segurança do candidato. Os protocolos do setor de Proteção a Dignitários da Polícia Federal, responsável pela segurança dos presidenciáveis, determinam que em casos como o do atentado a Bolsonaro faz-se uma reavaliação para estipular um novo “grau de risco”.

Na teoria, alguns delegados chamam este evento de “fato revolucionário”, que muda o cenário de atuação da PF. Segundo eles, essa reavaliação está sendo feita para ser empregada nas próximas agendas dos candidatos. Após o ataque, Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede) e Geraldo Alckmin (PSDB) anunciaram cancelamento de agendas de campanha.

As medidas adicionais podem incluir o emprego de novos equipamentos (colete a prova de bala, carro blindado, etc) e novas táticas, como evitar lugares abertos, planejar todas aparições, evitar o contato direto do candidato com os eleitores.

Policiais com experiência nesse tipo de trabalho disseram que o perfil da campanha de Bolsonaro, apoiado por militares que muitas vezes se apresentam como seguranças voluntários, dificulta ainda mais a proteção. Esse excesso de gente quebra a formação de segurança da equipe profissional e, como consequência, dilui as responsabilidades durante os eventos de campanha.

“Ações como aquela (na qual Bolsonaro foi esfaqueado) são contraindicadas. Não fazem parte da avaliação de risco da PF justamente por conta da vulnerabilidade. Não havia cordão de isolamento primário nem secundário porque o candidato se colocou naquela situação. Normalmente, eles não seguem as orientações propostas pelas equipes de segurança da PF”, disse o presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Distrito Federal, Flavio Werneck.

De acordo com um experiente policial ouvido pelo Estado, no limite, conforme o policial, a PF pode solicitar à Justiça Eleitoral a proibição de eventos de campanha em caso de risco extremo. / COLABORAM RENAN TRUFFI e MARCELO GODOY

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