DOUGLAS MAGNO / AFP
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Petistas avaliam que insistir em Ciro e FHC foi erro

Segundo fontes, a 'ficha' só caiu quando o irmão de Ciro Gomes, Cid, reagiu de forma explosiva chamando um militante de 'babaca' durante um evento de apoio a Haddad

Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2018 | 20h40

Integrantes da coordenação da campanha de Fernando Haddad à Presidência avaliam que o PT adotou uma estratégia errada ao insistir no apoio de Ciro Gomes (PDT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB) a uma ampla frente democrática contra Jair Bolsonaro (PSL). 

Segundo essas lideranças petistas, o erro estratégico fez com que Haddad perdesse mais de um terço dos 21 dias de campanha do segundo turno e a chance de aproveitar a empolgação causada pelo resultado eleitoral do dia 7. 

A ordem agora é intensificar a desconstrução de Bolsonaro, desmentir a avalanche de fake news que inundou as redes sociais nas últimas semanas e apostar na ampliação das forças que apoiam Haddad com a adesão de personalidades e setores da sociedade civil. 

De acordo com fontes da campanha, a "ficha" só caiu na segunda-feira, 15, quando Cid Gomes, irmão de Ciro, reagiu de forma explosiva chamando um militante petista de "babaca" em um evento que deveria ser de apoio a Haddad no Ceará. A entrevista de FHC ao Estado, na qual o tucano fala que existe "uma porta" em direção a Haddad, manteve alguma esperança de que a frente ainda pudesse vingar.  A nova declaração de FHC, nesta quarta-feira, dizendo que a "porta está enferrujada" soterrou a esperança. 

Em entrevista coletiva no início da tarde desta quarta-feira, Haddad disse que nunca contou com o apoio do PSDB à sua candidatura. 

"Nunca fiz referência específica ao PSDB. Sempre fiz referência ao PDT, PSB, PSOL, PC do B, PROS e nós (PT). Mas reconheço que há algumas personalidades do PSDB, uma parte da juventude, que tem mais referência no velho PSDB do (Mario) Covas, sobretudo, que nos momentos decisivos não deixava de se posicionar", afirmou o candidato.

O petista disse que as portas de sua candidatura continuam abertas aos "democratas" que quiserem aderir à campanha contra Bolsonaro, mas não escondeu a decepção ao comentar a nova declaração de FHC, com quem tem relação pessoal.

"O convite permanece para que os democratas se somem, nem todos da maneira que eu gostaria ou sugeriria para uma pessoa que tem a formação que ele (FHC) tem. Mas enfim, quando ele falou que de um lado havia um muro e do outro uma porta eu ouvi isso com alguma esperança. Só soube que ela estava enferrujada hoje", disse Haddad. 

Estrategistas do PT avaliam que além de frustrar os planos para a construção da frente, a insistência nos apoios de Ciro e FHC distraiu a atenção do partido e seus aliados.

Outro fator que atrapalhou a primeira semana do primeiro turno foi uma transição no comando da campanha. Desde a semana passada, com aval do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Haddad assumiu as rédeas da candidatura. 

A preocupação agora é que setores do PT descrentes com a possibilidade de uma virada se desmobilizem ou passem a agir de olho na oposição ao eventual governo Bolsonaro.

Por outro lado, as manifestações espontâneas de personalidades de diversas áreas a campanhas contra a eleição de Bolsonaro deu um sopro de ânimo aos petistas. 

Nos próximos dias Haddad vai se encontrar e receber apoio de juristas, reitores, cientistas e artistas. Em outra frente, o PT montou uma força-tarefa para buscar votos na periferia de São Paulo em bairros que já votaram no partido mas no primeiro turno escolheram Bolsonaro. No fim de semana, o candidato vai ao Nordeste, onde teve a maioria dos votos mas é alvo de uma ofensiva do adversário. Ele vai ao Piauí, Maranhão e talvez Rio Grande do Norte. Na semana passada governadores eleitos sugeriram que ele fosse ao Ceará, terra dos Ferreira Gomes, mas não foi incluído na agenda.

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