Igo Estrela/Estadão
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Para porta-voz da Unicef, crianças devem ficar o mais longe possível de armas

Declaração foi uma resposta aos comentários de Jair Bolsonaro sobre ensinar jovens a atirar

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2018 | 09h21

GENEBRA - O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) defende que crianças fiquem o mais distante possível de qualquer objeto que represente uma ameaça, inclusive de armas. Questionada pela reportagem sobre declarações do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) sobre suas sugestões de que pais precisam ensinar menores a atirar, a porta-voz da instituição, Marixie Mercado, disse desconhecer os detalhes dos comentários. Mas indicou que essa não seria uma avaliação compartilhada pela Unicef. 

“Defendemos manter crianças o mais distante possível de qualquer coisa que as possa ferir", declarou Marixie Mercado, na manhã desta sexta-feira, 19, em Genebra. Ela indicou que um eventual acesso seria um risco tanto para as próprias crianças como para as pessoas ao seu redor.

Segundo ela, as convenções internacionais são claras sobre o direito das crianças à proteção da violência e ao direito à vida. Outro pilar dos tratados seria o fato de que um o interesse das crianças esteja no centro das considerações.  

Em diferentes momentos na campanha eleitoral, o candidato à Presidência pelo PSL comentou a relação com armas. De acordo com Bolsonaro, seus filhos foram ensinados a atirar com arma de fogo, com munição, desde a idade de cinco anos. Ele ainda complementou, afirmando que “encoraja, sim” tal conduta por parte dos pais.  “Não podemos mais ter uma geração de covardes, de ovelhas”, disse. 

Num dos eventos de campanha, em Araçatuba (SP), Bolsonaro foi flagrado ensinando uma criança a fazer um gesto de “arma” com a mão em um ato público de campanha. A um garoto que estava em seus braços com a farda infantil da Polícia Militar, o presidenciável disse: “Você sabe atirar? Você sabe dar tiro? Atira. Policial tem que atirar”.

“A arma é inerente à sua vida e à liberdade do País. Meus filhos todos atiraram com cinco anos de idade. (Uma arma) Real, não é de ficção nem de espoleta não”, declarou. Esta não foi a única vez que Bolsonaro foi flagrado ensinando uma criança a fazer um gesto de “pistola” com a mão. No dia 20 de julho, quando cumpria agenda de campanha em Goiânia, ele foi fotografado orientando uma menina a fazer o mesmo gesto.

De acordo com a Convenção dos Direitos das Crianças, de 1989, é estabelecido pelos governos que a educação dada por cada Estado aos menores os deve “preparar para uma vida responsável em uma sociedade livre, no espírito da compreensão, paz, tolerância, igualdade entre sexos, amizade entre povos, etnias, nacionalidades, grupos religiosos e pessoas de origem indígena”.

A mesma convenção aponta para a necessidade de se manter menores longe dos impactos da violência, conflitos armados ou hostilidades. Num Protocolo Opcional, aprovado em 2000, a ONU ainda aponta que governos tem o dever de proteger menores de hostilidades. 

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