AFP PHOTO / DOUGLAS MAGNO
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Na Bahia, oposição critica governador por uso de força policial em greve dos caminhoneiros

Pré-candidato à reeleição, petista Rui Costa diz que foi necessário garantir abastecimento das cidades

Yuri Silva, O Estado de S.Paulo

05 Junho 2018 | 05h00

SALVADOR - Os pré-candidatos ao governo da Bahia politizaram o discurso ao comentarem a greve dos caminhoneiros. Enquanto o atual governador, Rui Costa (PT), que tentará a reeleição, criticou a gestão da Petrobrás e a política de preços da estatal, o principal nome da oposição, o ex-prefeito de Feira de Santana José Ronaldo (DEM), avaliou que “faltou habilidade aos governos federal e estadual para contornar os prejuízos causados pela greve”.

“Entendo que a política de preços tem de ser revista pelo governo federal, em vez de querer jogar o problema para os Estados brasileiros. Essa política de preços praticada pela Petrobrás é irracional”, afirmou o petista ao ser questionado pelo Estado sobre sua posição em relação à greve. “A Bahia já cobra o menor ICMS do botijão de gás de cozinha e pratica uma das menores taxas para o diesel em relação aos demais Estados. A pergunta que tem de ser feita é por que o governo federal dobrou o PIS/Cofins sobre o combustível nos últimos dois anos”, afirmou o governador.

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Alvo de críticas de opositores por causa do uso da Polícia Militar para tentar garantir o abastecimento durante a paralisação, Costa adotou tom cuidadoso ao comentar a posição dos caminhoneiros, que mantiveram a greve mesmo após o governo federal anunciar a assinatura de acordos.

“Mesmo com essa reivindicação legítima por parte dos caminhoneiros, não poderíamos deixar que os serviços públicos e a garantia da vida humana e animal fossem afetados, por isso, utilizamos as forças do Estado para garantir o abastecimento das cidades e a chegada de medicamentos e alimentos”, afirmou.

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A atuação do governo estadual durante a crise foi um dos principais alvos do pré-candidato democrata José Ronaldo. Em entrevista para uma rádio de Feira de Santana, cidade da qual foi prefeito, Ronaldo disse que “faltou capacidade de negociação e de entendimento”.

“O movimento tornou-se insustentável para o País e, depois, foram chegando oportunistas partidários. Os motoristas, autônomos, principalmente, sofrem com impostos e o aumento constante dos combustíveis. Na Bahia cobra-se o maior ICMS do Brasil. O governo mais uma vez deu sinais de que está do lado contrário dos interesses do povo”, comentou o pré-candidato.

Ronaldo afirmou que o movimento “trouxe à tona os sentimentos de uma categoria responsável pelo abastecimento” do País e que as paralisações foram “ignoradas inicialmente”, recebendo atenção somente “após surgirem os problemas envolvendo a distribuição de combustíveis, alimentos, medicamentos e insumos”.

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Pré-candidato do PSOL ao Palácio de Ondina, Marcos Mendes, qualificou a paralisação dos caminhoneiros como “desorganizada, mas de grande peso”. Para o Mendes, os grevistas conseguiram “deixar de joelhos classe política golpista no governo Temer, que tem como objetivo destruir a Petrobrás para favorecer acionistas internacionais, principalmente os EUA”.

Pré-candidata ao governo baiano pela Rede, a ex-vice-prefeita de Salvador Célia Sacramento avaliou que a paralisação foi “muito pertinente em um primeiro momento, quando recebeu o apoio da população e de outras categorias”, mas “perdeu o apoio popular quando começou a pautar questões da política, como o 'Fora, Temer'”.

Os pré-candidatos do MDB, o ex-ministro da Integração Nacional João Santana, e do PRTB, o ex-prefeito de Salvador João Henrique Carneiro, não comentaram.

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