FELIPE RAU/ESTADÃO
FELIPE RAU/ESTADÃO

Meirelles afirma que aliança com PSDB só acontecerá caso a sigla aceite a Vice-Presidência

Na avaliação do ex-ministro da Fazenda, saída de Joaquim Barbosa do cenário muda o quadro eleitoral

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

09 Maio 2018 | 15h41

O ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles reforçou nesta quarta-feira, 9, que mantém sua intenção em ser candidato a presidente da República pelo MDB e não considera a hipótese de ser vice em uma chapa encabeçada por outro presidenciável. Enquanto o presidente Michel Temer estabelece conversas com o PSDB, que lançou o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin como pré-candidato, Meirelles disse que uma aliança com os tucanos só é possível se o partido aceitar a vaga de vice em uma chapa encabeçada pelo MDB.

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"Se é possível fazer imediatamente uma aliança com o PSDB? Certamente, não há dúvida, desde que o PSDB aceite uma candidatura à Vice-Presidência", declarou.

Ele também disse que não acredita em "acordo de bastidor" e que o critério para definir candidatos em aliança deve ser o potencial eleitoral. "Outros poderão tomar a mesma decisão [de desistir], acredito que essa consolidação será natural porque eu não acredito muito em acordo de bastidor", declarou. "Só o potencial eleitoral, de fato, é que vai definir isso."

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Projeções. Afirmando que um candidato de centro estará no segundo turno, Meirelles avalia que outros nomes do mesmo campo não têm um potencial de crescimento de votos maior do que ele.

"Não estou considerando a hipótese de ser vice-presidente porque não estou convencido de que outros candidatos do que eu chamo do centro democrático têm um potencial de votos realmente maior do que o nosso", declarou o ex-ministro, durante debate promovido pela Insper Jr. Consulting, consultoria gerida por alunos de graduação do Insper.

Figurando com 1% nas intenções de voto em pesquisas eleitorais, Meirelles repetiu que a crença em seu potencial de crescimento está ancorada em quatro características demandadas por eleitores que ele julga ter: competência, experiência, seriedade e honestidade. Para o ex-ministro, a "sensação de bem-estar" com o crescimento da economia vai beneficiar candidatos reformistas e evitar que candidatos "populistas" vençam o pleito.

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Ele comentou que a saída do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa (PSB) do cenário muda o quadro eleitoral. Para Meirelles, haverá uma dispersão até o período das convenções partidárias, entre final de julho e agosto, e uma dispersão menor até setembro, antes do primeiro turno.

"O potencial eleitor do Joaquim não é um eleitor ideológico, como alguns candidatos da esquerda estão colocando. Não é um eleitor de esquerda, é um eleitor de todas as faixas ideológicas que olhava para ele, para o que fez como presidente do Supremo, a carreira, a pessoa que é..."

Meirelles disse ainda esperar que o "fracasso" do governo de Dilma Rousseff (PT) tenha sido tão "profundo" que sirva de lição para o eleitor escolher seu candidato.

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Palestra. Em sua fala, o ex-ministro afirmou que inflação e emprego serão os dois principais temas de uma plataforma eleitoral. Para ele, só com geração de emprego e renda e inflação controlada é possível assegurar recursos para educação, saúde e segurança pública. Meirelles defendeu a necessidade da reforma da Previdência, que o governo não conseguiu aprovar no Congresso. Diferente do que vem dizendo Michel Temer ao falar na possibilidade de a intervenção federal no Rio de Janeiro cessar e votar a proposta ainda este ano, ele citou que a medida, com outras reformas necessárias, ficou para o próximo presidente. "Evidentemente, isso não será feito este ano, ano eleitoral. Será feito certamente ano que vem, o que compete à liderança do próximo presidente."

Acompanhado pela economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, que disse que sem uma agenda de disciplina fiscal o próximo presidente não termina o mandato, Henrique Meirelles disse acreditar que será possível mostrar os efeitos das políticas econômicas do PT e do governo Temer na campanha eleitoral.

Agenda. Ainda nesta quarta-feira, o ex-ministro conversa com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, pré-candidato do MDB ao governo de São Paulo. No último sábado, 5, Skaf lançou sua pré-candidatura ao lado de Temer e Meirelles afirmando que o PSDB "já deu o que tinha que dar" no Estado.

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Temer tem conversado com líderes tucanos e, nos últimos 30 dias, recebeu em encontros privados o ex-prefeito João Doria, pré-candidato à eleição estadual, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o ex-senador José Aníbal.

Em São Paulo, o PSDB já abriu a possibilidade de uma aliança com o MDB, mas Skaf resiste em abrir mão da pré-candidatura acreditando que sua posição em pesquisas eleitorais o possibilita ser eleito.

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