Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

'Ou os partidos de centro se unem ou é a derrota', diz Marun

Para evitar resultado negativo nas eleições, ministro da Secretaria de Governo sugere aliança para construir projeto único de poder

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

04 Junho 2018 | 21h31

BRASÍLIA - O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, afirmou nesta segunda-feira, 4, ao Estado, que o centro político está fadado à derrota nas eleições para o Palácio do Planalto caso não se alie para a construção de um projeto único de poder. Marun sugeriu que todos os presidenciáveis desse bloco retirem suas pré-candidaturas e, durante um mês, discutam um programa “arrojado”, com o objetivo de tirar o País da crise, antes de decidirem quem será escolhido para liderar a chapa e para ser vice.

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A proposta de Marun inclui o ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que foi lançado há duas semanas pelo MDB à sucessão do presidente Michel Temer. Questionado pelo Estado se o MDB ainda poderia apoiar o PSDB na disputa, o ministro respondeu que sim, desde que seja construído um “projeto verdadeiro”.

Admitiu, no entanto, que houve um distanciamento entre o Planalto e o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB). Disse não saber nem mesmo da iniciativa do PSDB de lançar um manifesto, nesta terça-feira, pregando “urgente unidade política” do centro nas eleições.

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“O problema é que não existe até hoje no centro um candidato com musculatura eleitoral que atraia. Existem candidatos com extremas dificuldades eleitorais, o tempo está passando e a coisa não avança. Ao contrário”, afirmou Marun. “Todos são ruins como candidatos nesse momento. Ou os partidos que fizeram o impeachment (da então presidente Dilma Rousseff) se unem ou é a derrota porque o segundo turno será entre os extremos.”

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Marun fez questão de destacar que falava em “nome pessoal”, e não do governo nem do MDB. Sua ideia, no entanto, provocou polêmica logo no domingo à noite, quando ele expôs pela primeira vez a proposta, ao participar do programa Canal Livre, da Band. Na ocasião, não escondeu o aborrecimento com Meirelles.

Em entrevista ao Estadão/Broadcast, publicada no domingo, o ex-ministro da Fazenda disse que não queria ser visto como o representante da gestão Temer nas eleições. “Estou tirando o rótulo. Por exemplo, não sou o candidato do mercado, não sou o candidato do governo, não sou o candidato de Brasília. A minha proposta é a (...) do meu histórico”, afirmou Meirelles.

Ao Canal Livre, Marun reagiu com ironia e atacou o pré-candidato do MDB. "Vejo gente preocupada em perder voto por estar do lado do governo. Mas que voto? Quantos votos tem o Meirelles?", provocou. Na pesquisa CNT/MDA de maio, o ex-titular da Fazenda tem entre 0,3% e 1,4% das intenções de voto, dependendo do cenário.

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O presidente do MDB, senador Romero Jucá (RR), estranhou as declarações de Marun. “O MDB não retira a candidatura de Meirelles. Temos confiança no crescimento dele e na capacidade que ele tem de bem representar o centro”, disse Jucá ao Estado. Meirelles não comentou a proposta de Marun, mas enviou a ele mensagem de WhattsApp, explicando por que não quer ser associado a rótulos.

“Eu respeito Alckmin, respeito Meirelles e todos os outros. Mas só vejo viabilidade eleitoral desse candidato de centro, que eu chamo do bom senso, se houver união e um projeto que se disponha a enfrentar as situações que o governo ou não conseguiu ou não teve tempo de enfrentar, como a reforma da Previdência, a política e o avanço nas privatizações”, insistiu o chefe da Secretaria de Governo. 

Marun admitiu que sua proposta é “muito difícil” de sair do papel. Argumentou, porém, que estava fazendo uma “conclamação pelo juízo” dos partidos aliados. “De um lado temos a direita estatizante, representada pelo Bolsonaro (Jair Bolsonaro, do PSL) e, de outro, a esquerda retrógrada. No personalismo não temos chance de vitória”, insistiu.

E quem escolheria o candidato único de centro? Para o ministro, após a etapa de discussão programática, os nomes do concorrente e do vice poderiam ser ungidos pelas bancadas da Câmara e do Senado. (Colaboraram Cristian Favaro e João Paulo Nucci)

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