NILTON FUKUDA/ESTADÃO/DIVULGAÇÃO
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Reeditar a violência vai levar o País para o fundo do poço, diz Marina sobre ataques nas redes

Equipe da presidenciável identificou comentários que associavam o nome da candidata ao número de urna de Jair Bolsonaro; Ela se comprometeu a realizar reforma política, ao assinar manifesto do Pacto pela Democracia

Marianna Holanda e Cristian Favaro , O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2018 | 21h53

Após ser alvo nas redes sociais, a candidata da Rede nas eleições 2018, Marina Silva, disse nesta segunda-feira, 13, esperar que a sociedade denuncie os ataques da forma que puderem. Para ela, se as tentativas de "reeditar a violência", que sofreu das campanhas adversárias em 2014, continuarem, o País vai para "um poço sem fundo".

O Estado noticiou no domingo, 12, que a equipe da presidenciável acionou o Facebook após comentários em sua página que a associavam ao número do candidato do PSL, Jair Bolsonaro

"A tentativa de reeditar a violência, a intimidação, enfim, a tragédia que nos trouxe para o fundo do poço. Se isso se repetir, vamos para um poço sem fundo", disse a candidata, após assinar manifesto do Pacto pela Democracia. "Nós temos o compromisso de fazer uma campanha limpa, democrática, sem fazer o uso de fazer robôs para fazer difamações (...). Esses ataques, eu espero que sejam denunciados por quem pode denunciar", completou.

A candidata da Rede assinou o manifesto em defesa da democracia, com o compromisso de realizar reforma política, caso eleita. Questionada se há nomes na disputa que possam pôr em risco a democracia, ela respondeu que "os que têm saudosismo em relação à ditadura, com certeza preocupa, os que fizeram uso do caixa 2 também preocupam."

"No caso do Brasil, uma das formas de enfraquecer a democracia é a corrupção, a falta de equidade na disputa eleitoral, a falta de mobilidade política dentro das estruturas partidárias", disse Marina Silva.

O documento pontua que o candidato deve "realizar uma ampla reforma política após as eleições, abrindo o caminho para sair da crise melhor do que antes, no rumo reafirmado da construção do país que precisamos". Não detalha, contudo, quais mudanças devem ser feitas. Essa já é uma das principais bandeiras de Marina Silva, que defende o fim da reeleição, a restrição do foro privilegiado, mandato de dois anos para o Legislativo e voto distrital misto.

A presidenciável foi a primeira a se comprometer com as diretrizes propostas pelo grupo suprapartidário Pacto pela Democracia, do qual fazem parte movimentos de renovação, como Agora!, de Luciano Huck, o RenovaBR e o Raps. A ONG já conversou com as campanhas de Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL) e a do PT.

"A ideia é que isso seja uma agenda compartilhada. A gente precisa conseguir fazer uma reforma legítima para valer", disse José Marcelo Zacchi, um dos coordenadores do Pacto. Eles querem que o presidente eleito já convoque consulta pública no Congresso, em novembro, para que a próxima legislatura já comece com essa agenda.

O manifesto do Pacto defende ainda o "diálogo e da tolerância", eleições limpas, e reafirma o "repúdio pleno a todas as formas de discriminação e violência na ação política". O evento ocorreu depois da sabatina da ONG Todos Pela Educação, na sede da entidade. 

A educadora e acionista do Banco Itaú, Neca Setubal, esteve presente no encontro desta tarde. "Completamente afastada" da campanha, como ela já disse ao Estado, Neca disse que não chegou junto de Marina e que veio para o evento do Todos e do Pacto – ela faz parte das duas organizações.

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