Sérgio Lima/AFP
Sérgio Lima/AFP

Usuários ligam Marina Silva a número de Jair Bolsonaro

Página da candidata da Rede no Facebook tem sido alvo de comentários com a expressão 'Marina17', número do adversário

Marianna Holanda, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2018 | 05h00

A campanha da candidata da Rede Sustentabilidade, Marina Silva, diz ter identificado um ataque às suas publicações em redes sociais, com comentários associando seu nome ao número do candidato do PSL à Presidência da República, Jair Bolsonaro. Perfis incluíam nos posts da presidenciável a expressão “Marina17”, número do adversário. Nas urnas, a Rede é 18. 

Segundo o partido, os ataques começaram na semana passada e são mais comuns nas transmissões ao vivo no Facebook. Marina faz cerca de duas lives por semana, normalmente temáticas, a que chama de “horário pessoal gratuito” - uma alternativa aos cerca de 30 segundos de tempo oficial de rádio e TV no horário eleitoral.

A última transmissão foi com o vice Eduardo Jorge (PV), na quinta-feira, 9, quando foi identificado um número elevado de comentários com a expressão “Marina17”.

Integrantes da equipe da presidenciável se reuniram com representantes do Facebook na sexta-feira, 10, para discutir, entre outras questões, o que chama de ataque à página da candidata. É possível, na rede social, bloquear termos específicos e “Marina17” foi proibido nas publicações da candidata nesta semana.

Nas lives, contudo, a ferramenta não tem funcionado, segundo a equipe de Marina. “Caso a gente não consiga impedir esses comentários via Facebook, vamos estudar outras medidas que garantam que a lei seja respeitada e os comentários não confundam os eleitores”, disse o coordenador de mobilização da campanha de Marina, Lucas Brandão. 

De acordo com Brandão, a equipe do Facebook teria se comprometido a resolver o problema na plataforma. Procurada, a assessoria do presidenciável do PSL não deu resposta até a conclusão desta reportagem. Associar um candidato a um número de urna de outro é ilegal, segundo o professor de Direito da PUC Fernando Hideo, porque induz o eleitor ao erro.

Para o professor de direito eleitoral Alberto Rollo, além de as manifestações serem ilegais do ponto de vista das leis eleitorais, poderiam ainda se encaixar nas resoluções de fake news. “O objetivo da propaganda é sempre informar.  Se confundir pode ser objeto de apreensão no caso de santinhos. De posts, tirado do ar”, disse.

Marina foi a primeira candidata a conseguir uma decisão favorável do TSE contra notícias falsas na internet. A determinação, de 7 de junho, atendia a uma ação proposta pela ex-ministra e seu partido, que pediam a remoção de cinco publicações no Facebook consideradas por eles fake news. As publicações acusavam Marina de estar envolvida na Operação Lava Jato e de ter recebido propina da Odebrecht.

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