Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Marina Silva defende reforma do Judiciário durante sabatina Estadão/Faap

Ao ser questionada sobre questão do aborto, candidata da Rede defende que mulheres não sejam presas por interrupção da gravidez

O Estado de S.Paulo

28 de agosto de 2018 | 16h23
Atualizado 28 de agosto de 2018 | 17h42

A candidata Marina Silva, da Rede Sustentabilidade , defendeu uma reforma do Poder Judiciário durante sua entrevista na série Sabatinas Estadão-Faap com os Presidenciáveis , realizada nesta terça-feira, 28. Segundo ela, as indicações para tribunais superiores devem seguir o critério de independência ética de quem está sendo indicado. 

"O presidente da República não pode indicar uma pessoa com a expectativa de que, se ela falhar, terá acolhimento", afirmou. "No caso do Supremo e da Justiça de forma geral, há uma necessidade de reforma geral também". A candidata ainda não tem uma proposta fechada do Judiciário, mas defende que conselheiros de tribunais de contas não sejam mais indicações políticas. 

 A série de sabatinas continua na próxima semana. Na terça-feira, 4 de setembro, o entrevistado é o candidato Ciro Gomes, do PDT

Ao longo da sabatina - que já recebeu os candidatos João Amôedo, do Novo, e Alvaro Dias, do Podemos - a presidenciável disse também que, apesar de ser contra o aborto, não defende que uma mulher vá para a cadeia por interromper a gravidez. "Mulher que faz aborto não deve ir para a cadeia", afirmou a candidata Marina Silva durante a entrevista.

A ex-ministra do Meio Ambiente, segunda colocada nas pesquisas no cenário sem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tentou na entrevista reforçar o vínculo com o eleitorado feminino, que tem demonstrado resistência às propostas de Jair Bolsonaro, do PSL.

"Uma das coisas que eu ouço é que não posso ser presidente porque sou uma pessoa frágil, uma pessoa fraca. É uma forma de desqualificação das mulheres. Muitas mulheres como eu têm que provar o tempo todo que é inteligente, que pensa, que sabe", disse ela ao comentar o embate com Bolsonaro no debate da Rede TV, há duas semanas. "Em relação ao Bolsonaro, ali no debate foi um processo vivo, espontâneo. Nem todas as variáveis são controláveis. Chega uma hora em que a verdade aparece."

A candidata Marina Silva voltou a apelar ao eleitorado feminino quando foi questionada se a pauta feminina vai ganhar corpo na campanha dela. "Eu quero falar com as mulheres brasileiras. Eu nunca mais quero ver uma mulher sendo tratada como se não pensasse, não pudesse. Nós podemos. Vamos transformar essas frestas em grandes portais de transformação", afirmou. 

A ex-senadora também antagonizou com as propostas de Bolsonaro ao dizer que "não se vai resolver o problema (da segurança pública) distribuindo armas para a população". Segundo ela,  é necessário implementar um sistema único de segurança pública com prioridade às "manchas criminais", regiões em que há maior incidência do crime. 

Na questão do meio ambiente, uma de suas principais bandeiras políticas, a presidenciável disse ser possível apostar em fontes de energia limpa, como a solar, e conciliar o desenvolvimento agrícola com a ecologia. Ela criticou o uso no Brasil de agrotóxicos proibidos nos Estados Unidos e na União Europeia. 

Candidata defende reformas tributária e da Previdência 'diferentes'

Marina disse que o projeto de Reforma Previdência proposto pelo presidente Michel Temer era "totalmente inaceitável" e prometeu retormar a discussão, caso eleita. "Foram fazendo ajustes e não conseguiam aprovar ( o projeto) mesmo tendo uma base enorme no Congresso", declarou. 

Em relação à reforma trabalhista, a ex-ministra prometeu rever  o que chamou de "pontos inaceitáveis" da reforma. "Ouço muita gente dizendo que é modernizar as relações de trabalho. Mas na reforma trabalhista tem pontos que são pré-modernos, como uma mulher trabalhar em condições insalubres, uma pessoa ter apenas meia hora para se alimentar, trabalho intermitente, em que pode ficar meses sem ser chamado mas conta como se tivesse empregado", disse. 

A candidata ainda prometeu organizar as contas públicas sem comprometer investimentos na área social. "Em hipótese alguma qualquer tipo de gasto perdulário está no nosso horizonte de governo. Nós poderíamos aumentar o gasto público condicionado à metade do crescimento do PIB e corrigida com a inflação", afirmou. "Hoje, já temos o leite derramado. Controlar gasto público é determinação do governo combatendo corrupção. Não vejo um debate, por parte das candidaturas, em relação a como integrar as contribuições da sociedade (nisso)." /MARIANNA HOLANDA, MATHEUS LARA, CRISTIAN FAVARO, ANA BEATRIZ ASSAM e LUIZ RAATZ.

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