CAPYTAR
CAPYTAR

Maior parte dos sites não recebe doação

Só 1/3 das plataformas de ‘vaquinhas online’ autorizadas pelo TSE recebem contribuição para as campanhas

Geovanna Gravia e Isadora Duarte, ESPECIAIS PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

02 Junho 2018 | 05h00

Duas semanas depois de iniciada a arrecadação virtual para as campanhas eleitorais, apenas parte do total de sites autorizados para as chamadas vaquinhas online (crowdfunding) já pode receber doações. A maioria das plataformas aprovadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ainda está em fase de adaptação e desenvolvimento. O Estado verificou que não há regularidade na transparência das informações disponíveis sobre as doações. Ao menos 18 sites funcionam como venda deste serviço para potenciais candidatos.

Esta é a primeira vez que a modalidade de financiamento coletivo é utilizada oficialmente nas eleições. Pela nova legislação, pré-candidatos a qualquer um dos cargos em disputa poderão arrecadar, mas não gastar os recursos obtidos exclusivamente pela internet até o início da campanha, em 15 de agosto. Se a candidatura não for confirmada, o valor doado tem de ser devolvido ao doador.

+++ Entenda como funciona a vaquinha virtual eleitoral

Em duas semanas, pelo menos 350 pré-candidatos no Brasil arrecadaram aproximadamente R$630 mil (valor contabilizado até o fim da tarde de ontem) por meio das vaquinhas online. O montante dobrou em relação à primeira semana. Dos potenciais candidatos, cerca de 840 já possuem campanhas de financiamento coletivo abertas nesses sites oficiais.

Responsável pela vaquinha online do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) nas eleições municipais de 2016, o consultor de crowdfunding Felipe Caruso avalia como positivo o desempenho das contribuições até o momento.

“O financiamento coletivo é um novo espaço de participação política. Estamos num processo de construção. Acreditamos que a maior parte da arrecadação virá no período eleitoral”, disse Caruso.

+++Álvaro Dias e Amoêdo largam na frente arrecadação por vaquinha virtual

A concentração de candidatos em poucas plataformas de financiamento é uma tendência observada pelos especialistas. Até esta sexta-feira, 1.º, o site Vakinha agregava 66% dos candidatos com campanha de arrecadação online aberta. 

‘Fictícios’. Na análise do total de 41 sites autorizados pela Justiça Eleitoral, sete são plataformas destinadas a outros serviços como ofertas de soluções contábeis e até escritórios de projetos. Um dos endereços aprovados ainda está em construção.

O capytar.br apresenta pré-candidatos não existentes e registrava nesta sexta-feira um valor arrecadado de R$ 1,4 milhão. O Estado efetivou uma doação, no valor de R$25, para teste da plataforma.

Em contato com a Maxximu Locação e Serviços Ltda., administradora da capytar.br, a empresa afirmou que a plataforma é ainda um demonstrativo para viabilizar a comercialização do serviço para futuros candidatos. “Ainda estamos em fase de negociação, apresentando a plataforma. Não iniciamos a captação efetivamente. São perfis de candidatos fictícios”, disse Rubens Santana, gestor da capytar.br. Segundo ele, os valores de contribuição divulgados no site são apenas índices para demonstrar o seu funcionamento.

+++Siglas contrárias a sistema digital prestam contas na última hora

No dia seguinte, a capytar.br atualizou o site, informando aos usuários que tratam-se de candidatos fictícios e que não podem ser realizadas doações. O Estado recebeu um comunicado da empresa lamentando o “inconveniente” e informando que o valor da doação seria estornado. Em nota, o diretor financeiro da capytar.br, Roberto dos Santos, afirmou que seriam tomadas providências para que o “problema técnico não ocorra novamente”.

Procedimentos. Consultado sobre a situação do sistema de arrecadação online, o TSE informou que “a análise de autorização é realizada sobre as informações e documentos cadastrais apresentados pelas empresas”. 

O Tribunal disse ainda que “a autorização para funcionamento não confere chancela quanto à idoneidade e adequação de procedimentos e sistemas utilizados pelas empresas na captação de doações para campanhas”. Ainda há 30 sites com os pedidos de autorização sob análise do TSE.

Liderança. O partido Novo lidera em número de arrecadação e de pré-candidatos com vaquinha online. Sozinho, até esta sexta-feira, concentrava pelo menos 150 pré-candidatos do total que tem campanha de financiamento aberta nos sites oficiais.

Entre os pré-candidatos à Presidência, o representante do Novo, João Amoêdo, já havia arrecadado R$ 205 mil até o início da noite de ontem. Em uma semana, o presidenciável dobrou o montante de doações.

Na disputa para cargos legislativos, Marcel van Hattem, pré-candidato a deputado federal pelo Novo, do Rio Grande do Sul (RS), figura no topo das vaquinhas. Até ontem, ele tinha arrecadado R$ 34 mil.

Ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL), Van Hattem atribui o desempenho à organização prévia da campanha de financiamento. O ex-deputado estadual tem alto engajamento e interações nas redes sociais. “Estabelecemos uma meta de R$200 mil porque representa 10% do que os deputados federais vão receber do fundo público para concorrer nessa eleição”, disse. 

O Novo decidiu não usar verba do Fundo Eleitoral e do Fundo Partidário nas disputas de 2018. A sigla é contra o uso de recursos públicos nas campanhas eleitorais. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.