Danilo Christidis / Twitter / Manuela D'Ávila
Danilo Christidis / Twitter / Manuela D'Ávila

Ibope aponta empate técnico no segundo turno em Porto Alegre

Manuela D’Ávila (PCdoB) tem 51% dos votos válidos e Sebastião Melo (MDB), 49%, de acordo com levantamento realizado pelo Ibope

Lucas Rivas / Especial para o Estadão, Porto Alegre

29 de novembro de 2020 | 05h08

PORTO ALEGRE - Depois de um início de campanha marcado por debates sobre temas da cidade, os candidatos Sebastião Melo (MDB) e Manuela D’Ávila (PCdoB) chegam ao dia da eleição após troca de acusações e uma guerra judicial. Pesquisa Ibope divulgada neste sábado mostra empate técnico entre os dois. Manuela tem 51% dos votos válidos e Melo, 49%.

A temperatura da campanha subiu após o assassinato de João Alberto Freitas, no Carrefour, no último dia 19, e a eleição de cinco vereadores negros, um recorde para a cidade. Na terça-feira, Manuela veiculou um vídeo no qual apoiadores de Melo – o vice-presidente Hamilton Mourão e o candidato derrotado a prefeitura Valter Nagelstein (PSD) – dão declarações polêmicas. Na gravação, Mourão diz que não há racismo no Brasil

Na quarta-feira, Melo registrou boletim de ocorrência contra Manuela por “crime eleitoral”, alegando ter sido associado ao racismo pela adversária, e recorreu ao Judiciário para suspender a propaganda. O pedido foi rejeitado, pois a Justiça Eleitoral entendeu que o vídeo não divulgou fatos inverídicos. 

A candidata alegou que o adversário tentou criar um “fato eleitoral” e afirmou que vai entrar com ação por danos morais e denunciação caluniosa. Manuela ganhou direito de resposta na propaganda de Melo, depois de ele a acusar de propagar “fake news”. Durante a campanha, o TRE retirou das redes sociais mais de 600 mil compartilhamentos de notícias falsas sobre Manuela.

O impacto de decisões judiciais já tinha marcado o primeiro turno: José Fortunati (PTB) teve a candidatura impugnada pelo Tribunal Regional Eleitoral, retirou-se da disputa e anunciou apoio a Melo.

Fortunati, Melo e o prefeito Nelson Marchezan Jr. (PSDB), que enfrenta um processo de impeachment, disputavam quem iria para o segundo turno com Manuela, segundo as pesquisas. A saída de Fortunati mudou o cenário e Melo avançou na preferência do eleitorado. Na votação, o emedebista teve 31% dos votos válidos e Manuela, 29%. 

Em 2016, o MDB lançou Melo como candidato tendo Juliana Brizola (PDT) como vice. Mesmo com apoio da esquerda, no segundo turno, inclusive do PCdoB de Manuela, a chapa foi derrotada das urnas por Marchezan. Melo, que se intitula um político do diálogo, agora tem o DEM na sua coligação e adotou uma agenda liberal em defesa da privatização e maior participação da iniciativa privada na administração municipal. Ele garante que vai cancelar o aumento do IPTU, promovido por Marchezan e que entrou em vigor em janeiro.

Na reta final, também passou a dizer que adotará uma gestão sem ideologia. “Ideologia não limpa praça, não tapa buraco”, disse. O emedebista também já foi vereador em três oportunidades e se elegeu deputado estadual em 2018.

Manuela tenta pela terceira vez ser eleita prefeita. Em 2018, participou como vice da chapa presidencial de Fernando Haddad (PT), ganhando projeção nacional, e tenta agora levar de volta a esquerda ao Paço Municipal -- ausente da prefeitura desde 2005, após o término do mandato do petista João Verle. O PT está novamente com a Manuela, agora com o vice de sua chapa, o ex-ministro Miguel Rossetto. Durante a campanha, ganhou apoio de artistas, como Caetano Veloso e Chico Buarque, e de líderes políticos, como Ciro Gomes (PDT), Hadad e Marina Silva. 

Na pesquisa Ibope de ontem, quando são computados os indecisos, brancos e nulos, Manuela tem 45% das intenções de voto e Melo, 43%. A pesquisa, que ouviu 805 pessoas nos dias 27 e 28, foi contratada pela RBS TV, tem margem de erro de 3 pontos porcentuais, nível de confiança de 95% e registro no TRE: RS-05561/2020. 

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