GABRIELA BILÓ / ESTADÃO
GABRIELA BILÓ / ESTADÃO

Haddad vê investida de Bolsonaro em público evangélico: 'são acusações muito vulgares'

Candidato do PT acusou a campanha do adversário de incentivar uma onda de "milhões de mensagens" com imagens de mulheres nuas e crianças visando a prejudicar o petista na disputa

Daniel Weterman e Ricardo Galhardo, O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2018 | 14h38

Após subir o tom contra Jair Bolsonaro (PSL), o candidato do PT à Presidência nas eleições 2018, Fernando Haddad, acusou a campanha do adversário de incentivar uma onda de "milhões de mensagens" com imagens de mulheres nuas e crianças visando a prejudicar o petista na disputa. "Acusações muito vulgares, com imagens muito vulgares. Isso está crescendo muito nos últimos dias, sobretudo direcionado ao público evangélico, que nós sabemos que cultiva valores que nós também cultivamos", disse Haddad.

Nas imagens apontadas pela campanha, há, por exemplo, fotos de crianças com roupas vulgares e mensagens como "Esse é o Brasil que eu não quero" espalhadas por aplicativos de celular. Perguntado se tomaria alguma medida judicial, Haddad afirmou que o objetivo é identificar os autores das publicações. "Nós desconfiamos do Bolsonaro, pelo conteúdo (...) É muito compatível com o discurso dele", declarou. O candidato divulgou um número de celular para que os eleitores encaminhem denúncias com as mensagens que receberem.

Haddad apontou o crescimento de Bolsonaro nas últimas pesquisas de intenção de voto a uma onda de notícias falsas, as chamadas "fake news", que favorecem o presidenciável do PSL. Ele afastou, no entanto, a possibilidade de o adversário vencer a disputa já no primeiro turno, hipótese citada por analistas e integrantes do mercado financeiro.

Nesta quarta-feira, 3, a Bolsa abriu o pregão em forte alta e o dólar começou o dia em queda devido ao desempenho de Bolsonaro nas sondagens de intenção de voto. O petista disse que o resultado das pesquisas veio "dentro do esperado". Ao ser questionado sobre o tom de ataque ao candidato, Haddad disse que começou a "se defender" na reta final. Nesta quarta, a assessoria de Bolsonaro informou que ele não estará no debate entre presidenciáveis nesta quinta-feira, 4, na TV Globo.

Previdência 

O presidenciável do PT prometeu discutir, se eleito, uma reforma da Previdência de Estados e municípios e deixou em aberto a possibilidade de adotar uma idade mínima para aposentadoria. "Nós teremos que sentar com governadores e prefeitos para repactuar o que chamamos de Previdência dos regimes próprios", declarou. Haddad também falou em "sentar" com trabalhadores para combinar os termos de uma reforma. Sobre idade mínima, o petista disse que vai deixar esse ponto em aberto para avaliar a sustentabilidade dos sistemas de aposentadoria.

O candidato do PT prometeu ainda fazer ajustes nos termos do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia. "Duvido que o governo Temer consiga entregar esse acordo, até pela inapetência do governo em fazer qualquer coisa na área externa. Queremos ajustar os termos com a União Europeia."  Haddad falou ainda em promover um acordo bilateral com o México e intensificar as negociações com China, Índia e Rússia. 

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