José Patrício/Estadão
José Patrício/Estadão

Haddad minimiza papel de Lula na transferência de votos e insiste que não dará indulto a ele

Candidato afirma que ex-presidente não se iguala a um 'cacique regional' nas decisões do partido, mas é quem mais 'encarna' o projeto do PT no País

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2018 | 03h24

O candidato do PT à Presidência nas eleições 2018, Fernando Haddad, minimizou o papel do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na transferência de votos para sua candidatura, afirmou que não dará indulto ao petista, preso e condenado na Lava Jato, e que essa é sua palavra final. Em entrevista ao Jornal da Globo, da TV Globo, exibida na madrugada desta quinta-feira, 20, Haddad declarou que Lula não se iguala a um "cacique regional" nas decisões do partido, mas admitiu que o ex-presidente é quem mais "encarna" o projeto do PT no País.

Para Haddad, o crescimento nas pesquisas eleitorais não se deve apenas à indicação do ex-presidente Lula. "É isso também, mas, se fosse só isso, haveria transferência para todo lugar que ele apoia. Não funciona tão automaticamente", comentou o presidenciável. Haddad declarou que Lula não pode ser igualado ao velho modelo das políticas regionais em que um "cacique" manda e desmanda no partido. "Não é verdade porque os caciques regionais não consultam ninguém, eles tomam decisão num jantar do PSDB", disse o candidato.

Haddad insistiu que, se eleito, não dará indulto a Lula e, questionado, respondeu que essa é sua palavra final. O petista relatou que recebeu uma carta do ex-presidente na qual ele se diz "indignado" com o assunto ter voltado à tona.

Ao falar sobre corrupção, Haddad não quis responder se julgava justas as condenações contra José Dirceu, André Vargas e Antonio Palocci. Citando o caso do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto, o candidato disse apenas que a pena imposta ao petista foi "desequilibrada" e que membros de outros partidos, como José Serra (PSDB), tiveram investigações arquivadas. "Parece haver, em alguns casos específicos, dois pesos e duas medidas", afirmou.

O presidenciável do PT atacou o governo Michel Temer dizendo que a administração do emedebista "afrouxou" os mecanismos de controle e o combate à corrupção. Ele prometeu, se eleito, fortalecer as instituições responsáveis por investigações no Brasil.

Venezuela

Na entrevista, Haddad contrariou um posicionamento do PT ao falar que a Venezuela não vive um processo de normalidade e que o clima no país vizinho é de "conflagração". Na última eleição de Nicolás Maduro, a direção nacional do PT chegou a dizer que o processo era um "exemplo de democracia". "A Venezuela não vive um processo de normalidade", comentou o presidenciável. "O clima ali é de conflagração. Inequívoco isso."

Economia

Após fazer acenos ao mercado financeiro e ensaiar um discurso mais próximo ao centro, Haddad voltou a criticar o teto de gastos implementado no governo Temer. Para o petista, a medida vai "colapsar" os serviços públicos no País.

Ele reforçou sua promessa de elevar impostos para bancos que cobram juros mais altos do que a média de mercado e reduzir para aqueles que cobram alíquotas menores. Haddad disse que o risco de as instituições segurarem o crédito em resposta a essa regra pode ser diminuído com atuação nos depósitos compulsórios. Ele pontuou que os bancos públicos estariam sujeitos às mesmas regras das instituições privadas.

Ainda sobre o setor econômico, Haddad afirmou que colocou a proposta de limpar nomes endividados no programa de governo do PT antes mesmo que o candidato Ciro Gomes (PDT) apresentasse algo semelhante. Depois que o pedetista adotou o projeto como sua principal bandeira, Haddad alterou seu plano de governo para detalhar a medida. Ele ainda disse que a promessa de Ciro não resolve o problema estrutural de juros altos. "Vai tirar as pessoas do SPC e elas vão voltar depois de um ano porque o problema estrutural não terá sido resolvido. Nossa proposta é de uma reforma bancária", apontou.

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