REUTERS/Rodolfo Buhrer
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Haddad sinaliza para ex-rivais e pedirá a Bolsonaro pacto contra mentiras nas redes

Petista afirmou que está procurando aliados do PSB para reunir forças para o segundo turno, além de ex-adversários como Ciro Gomes (PDT) e Guilherme Boulos (PSOL)

Katna Baran e Elizabeth Lopes, O Estado de S. Paulo

08 Outubro 2018 | 15h23

CURITIBA - Em Curitiba nesta segunda-feira, 8, para visitar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva depois do primeiro turno das eleições 2018, o candidato à Presidência Fernando Haddad (PT) afirmou que conversará com "as forças democráticas do País" que saíram derrotadas no primeiro turno, e que pretende pedir a seu adversário no segundo turno das eleições 2018, Jair Bolsonaro (PSL), para estabelecer um pacto com contra ataques e mentiras nas redes sociais durante a campanha.

Haddad afirmou que, além de ter procurado ex-rivais como Ciro Gomes (PDT) e Guilherme Boulos (PSOL), está procurando aliados do PSB, como Paulo Câmara, governador reeleito de Pernambuco, para reunir forças para disputar o segundo turno. "Temos total tranquilidade para ajustar parâmetros do programa que pretendemos fazer para resgatar reafirmação dos direitos, dos valores democráticos, que está no cerne do nosso projeto", disse, mencionando, por exemplo, "grande convergência de ideias" do programa petista com o de Ciro.

"Vi o programa do Ciro, temos muita convergência de ideias com o que precisa ser feito", disse, afirmando crer que há condições de reunir essas forças num segundo turno, em torno de um projeto de restauração e inclusão social do Brasil. "Vou conversar com as forças democráticas do País, representadas por algumas candidaturas como as de Ciro Gomes, Guilherme Boulos, mantendo ainda contato com governadores do PSB. Tenho interesse que essas forças estejam reunidas em torno desse projeto de restauração e inclusão social, como tratamos no primeiro turno com o PCdoB."

Sobre os acordos neste segundo turno, o PDT anunciou que não apoia Bolsonaro, mas que pretende fechar um "apoio crítico" a Haddad. O próprio Ciro já disse ter algumas ressalvas ao programa petista. Para fazer um aceno ao pedetista, Haddad disse na entrevista que tem total tranquilidade em ajustar os parâmetros do programa de sua coligação para que ele seja o mais representativo dessa ampla aliança que pretende fazer. E disse que ele e Ciro são amigos de longa data, desde o primeiro governo Lula, por isso, não teria problemas em ajustar o seu programa em torno de uma aliança programática. "Tenho total tranquilidade em ajustar parâmetros do programa para que ele seja o mais representativo dessa ampla aliança democrática que pretendemos fazer."

Haddad ressaltou na entrevista que teve 22 dias de campanha e chegou ao segundo turno com quase 30% dos votos válidos do País, concorrendo com veteranos , como Marina Silva (Rede), Ciro e Geraldo Alckmin (PSDB). "Fomos ao segundo turno pela força do projeto que representamos", disse, afirmando que os partidos políticos definharam nesse processo eleitoral. Segundo ele, o PT foi ao segundo turno defendendo um projeto que vai restaurar as perspectivas de desenvolvimento e inclusão social do Brasil.

O presidenciável afirmou que pretende fazer um esforço para que Bolsonaro assine uma carta de compromisso contra ataques e disseminação de mentiras nas redes. "É muito difícil se defender de uma enxurrada, um bombardeio via WhatsApp, com mentiras ao seu respeito. Não temos dinheiro nem condições para enfrentar", declarou o petista. Haddad também fez um apelo para que a Justiça Eleitoral seja mais rápida no combate às notícias falsas na internet. "Vamos tentar estabelecer um protocolo ético para o tipo de abordagem que vai ser feito na campanha. Uma carta de compromisso contra difamação anônima."

Sobre as notícias de possíveis fraudes nas urnas, que circularam nas redes e foram citadas por Bolsonaro, Haddad afirmou que a própria imprensa demonstrou "falsidade da informação". "Isso não ajuda o eleitor, não ajuda a democracia. Se você tem alguma dúvida, procure uma autoridade competente antes de veicular, ela existe (...) para checar a informação antes de ser propagada, porque senão só má-fé explica”, disse.

Haddad voltou a afirmar que, num possível governo, será preciso fazer uma reforma na Constituição para que se possa ter êxito nas reformulações tributária, bancária e política que fazem parte do projeto do PT. Ele afirmou, no entanto, que a melhor maneira de se fazer essa reforma será discutida com novos aliados. "É assim que se faz democracia, no diálogo, buscando convergência e consenso, o que vai ter que ser feito com o Congresso", declarou.

Criticando Bolsonaro, Haddad afirmou que, na campanha, deve-se discutir o melhor plano econômico para o País, de neoliberalismo, que seria, segundo ele, de seu adversário, ou de bem-estar social, como proposto pelo PT. Haddad disse ainda que, caso eleito, pretende colocar a Polícia Federal na coordenação da segurança pública do País. "Segurança pública é um serviço público, e armar a população é desonerar o Estado de proteger o cidadão. No fundo, é uma escapatória para prestar um serviço essencial previsto na Constituição."

Apesar das críticas que sofreu no primeiro turno, Haddad voltou a defender uma reforma na Constituição que, na sua avaliação, é importante para colocar outras reformas, como a tributária e a política em execução. "Não há como fazer essas reformas sem a constitucional."

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