Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Alckmin foi de rival a 'companheiro' de Lula em 4 anos, entenda

Entre as eleições de 2018 e 2022, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin passou por 'traição' de João Doria, voltou a atuar como médico na TV, deixou o PSDB e se aproximou de adversários históricos

Davi Medeiros, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2022 | 14h31

A consagração de seu nome como vice na chapa presidencial de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) marca um ponto de inflexão na carreira política de Geraldo Alckmin. Quadro histórico do PSDB, o médico e ex-governador de São Paulo filiou-se ao PSB para disputar, pela primeira vez “com”, e não “contra” o líder petista, o Planalto. Ambos passaram boa parte dos últimos quase 30 anos em lados opostos do tabuleiro político, encampando diversas vezes a polarização PT versus PSDB, mas agora se apresentam juntos como uma opção ao eleitorado contrário ao presidente Jair Bolsonaro (PL).

A última vez que Alckmin rivalizou com o Partido dos Trabalhadores foi nas eleições passadas, em 2018, quando disputou a Presidência contra Fernando Haddad (PT) e os demais candidatos no primeiro turno. O ex-governador ficou em quarto lugar naquela ocasião, tendo recebido aproximadamente 5% dos votos válidos, no que foi o pior resultado do PSDB em um pleito presidencial.

Naquele ano, a executiva dos tucanos optou pela neutralidade e não apoiou o projeto do PT - nem o de Bolsonaro - no segundo turno. Em 2021, em meio às conversas com Alckmin e às sinalizações de que ele poderia ser vice do ex-presidente, Haddad afirmou que dialogava com o ex-governador para que não se cometessem “os mesmos erros de 2018”.

Após ser derrotado naquelas eleições, Alckmin tirou um período para esfriar a carreira de político e passou a aparecer na TV como médico. No segundo semestre de 2019, ele foi contratado pela emissora Bandeirantes para apresentar um quadro sobre saúde no programa “Aqui na Band”. À época, sua participação na atração, inicialmente para dar dicas de acupuntura, inspirou brincadeiras nas redes sociais, onde usuários o chamaram de “blogueirinho”.

Ao mesmo tempo, o ex-governador continuava no PSDB, mas já sofria desgaste devido ao racha interno do partido. Sua principal desavença na legenda era João Doria, de quem havia sido padrinho nas eleições de 2016. Ambos se desentenderam em virtude das eleições de 2018, quando Doria mostrou sinais de que queria se sobrepor ao médico e disputar a Presidência pelo partido. Em áudio daquele ano divulgado pelo Estadão, Alckmin chamou o correligionário de “traidor”.

No ano passado, quando já havia decidido se desfiliar do partido, Alckmin postergou sua saída para poder votar contra João Doria nas prévias tucanas. Ele defendia que Eduardo Leite fosse escolhido como o pré-candidato da legenda para outubro de 2022, o que acabou não ocorrendo. Naquela ocasião, porém, já circulava o bastidor de que estaria articulando para ser vice de Lula no projeto rival ao do PSDB.

Alckmin se filiou ao PSB, uma das principais legendas aliadas ao PT nestas eleições, em 23 de março deste ano. O partido o apresentou de forma oficial, nesta sexta-feira, 8, como vice para a chapa do ex-presidente petista. Agora, o partido de Lula terá de avalizar a escolha - um procedimento pro forma, uma vez que, mesmo com resistência de parte da esquerda e da própria legenda, o casamento do ex-tucano com o líder petista já é dado como certo.

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