Beto Barata / Estadão
Beto Barata / Estadão

Ex-governador Cid Gomes grava vídeo em apoio a Fernando Haddad

Senador eleito pelo Ceará afirmou que 'Haddad é o melhor para o Brasil'; na segunda, ele fez críticas ao partido e disse que o PT deveria fazer uma 'mea culpa'

Ricardo Galhardo e Paulo Beraldo, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2018 | 15h36

Dois dias depois de criticar publicamente o PT em ato de campanha do partido e cobrar mea culpa da sigla, o ex-governador do Ceará e senador eleito Cid Gomes (PDT-CE) divulgou um vídeo anunciando que vai votar em Fernando Haddad (PT) no segundo turno das eleições 2018.

As críticas de Cid, que disse que o PT deveria assumir que "fez besteira" e "ter humildade", chegaram a ser usadas no programa eleitoral de Jair Bolsonaro (PSL) divulgado na terça. Com isso, ficou mais afastada a possibilidade de uma frente democrática entre as forças de esquerda no segundo turno. 

"Com tudo o que penso e diante de tudo que falei, não é correto o que fez o outro candidato usando imagens minhas editadas sem minha autorização. Que não fique nenhuma dúvida: neste segundo turno, Haddad é o melhor para o Brasil. Votarei no Haddad no dia 28". 

Na terça-feira, 16, Cid disse em entrevista ao Estado, que parte do PT "já dava por perdida" a disputa presidencial e estaria "se lixando" para Haddad. "Eles (petistas) querem ser hegemônicos inclusive na oposição. Boa parte da companheirada aí já deu por perdido (o segundo turno) e está pensando em ser hegemônico na oposição. Estão se lixando para o Haddad. São incapazes de um gesto de grandeza, mesmo que isso seja permitir uma oportunidade para o jovem, talentoso, inteligente, preparado que é o Fernando Haddad. Eu acho que isso (gesto de autocrítica) tem que partir de quem está no comando do PT", afirmou.

Cenário

Até o momento a campanha de Haddad vive um isolamento no campo ideológico e conquistou adesões protocolares entre siglas de esquerda (PCB, PSBPSOL) que não estavam coligadas com o PT no primeiro turno. O PDT, principal cobiça, porém, anunciou apenas um “apoio crítico”. O presidenciável derrotado Ciro Gomes viajou para a Europa e não tem participado da campanha petista. 

"Somos muito mais um voto contra ele (Bolsonaro), contra o risco que ele representa à democracia, aos direitos humanos, ao respeito às liberdades individuais do que um apoio ao Haddad", disse Carlos Lupipresidente do partido, na semana passada. 

Após o primeiro turno, o PT esperava formar o que chegou a ser chamado de “frente democrática” contra Bolsonaro. Ao atrair apoio de outros partidos e de parte da sociedade civil, a campanha buscava criar um caráter suprapartidário para defender a eleição de Haddad. 

Não houve avanço também na aproximação do partido com integrantes do PSDB, com quem o PT polarizou a disputa eleitoral nos últimos anos. Em entrevista ao Estadoo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que não aceitava “coação moral” dos que agora buscam seu apoio. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.