André Dusek/Estadão
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Em carta, Lula diz que reencontro com o povo brasileiro só não ocorrerá se ele morrer

Ex-presidente também pregou a união das esquerdas em evento de 'lançamento' de sua pré-candidatura; petista está preso desde o dia 7 de abril

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

08 de junho de 2018 | 21h36

Em uma carta apresentada como "Manifesto ao povo brasileiro", o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, preso há dois meses e condenado pela Operação Lava Jato, declarou que será candidato do PT à Presidência da República e que um reencontro com o povo brasileiro só não ocorrerá se ele morrer.

"E assim vou me preparando, com fé em Deus e muita confiança, para o dia do reencontro com o querido povo brasileiro. E esse reencontro só não ocorrerá se a vida me faltar", escreveu Lula. Enquanto o petista está preso em Curitiba, o PT faz nesta sexta-feira, 8, um ato de lançamento oficial da pré-candidatura do ex-presidente ao Palácio do Planalto.

Lula considera uma candidatura este ano como "o compromisso da minha vida" e, na carta, acenou para a Justiça Eleitoral, que julgará eventual registro de sua candidatura. O partido pretende registrá-lo como candidato no dia 15 de agosto.

"Sou candidato porque acredito, sinceramente, que a Justiça Eleitoral manterá a coerência com seus precedentes de jurisprudência, desde 2002, não se curvando à chantagem da exceção só para ferir meu direito e o direito dos eleitores de votar em quem melhor os representa", diz o manifesto.

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O petista alegou ser inocente do processo sobre o triplex do Guarujá e disse que se considera um preso político. Ele afirmou que sua candidatura representa "esperança" para o Brasil e que a manterá "até as últimas consequências"

O PT sustenta que outros candidatos já tiveram suas situações judiciais revertidas após eleições e conseguiram tomar posse. Lula alega que deveria recorrer à condenação em liberdade e que foi preso "pelo único motivo de que me chamo Luiz Inácio Lula da Silva". Ele disse ter certeza que a Justiça fará "prevalecer a verdade".

O petista afirmou ainda que os procuradores da Lava Jato, que apresentaram a denúncia contra ele, o juiz Sérgio Moro e o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que o condenaram, sempre o trataram como "inimigo". Ele ressaltou, contudo, que não cultiva "ódio ou rancor", mas duvida que seus "algozes" durmam com a consciência tranquila.

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"É para acabar com o sofrimento do povo que sou novamente candidato à Presidência da República", diz o manifesto assinado por Lula.

Alianças. Em uma referência a alianças com outros partidos de esquerda, Lula disse ter certeza que forças aliadas terminarão unidas na campanha eleitoral. "Temos de unir as forças democráticas de todo o Brasil, respeitando a autonomia dos partidos e dos movimentos, mas sempre tendo como referência um projeto de País mais solidário e mais justo, que resgate a dignidade e a esperança da nossa gente sofrida. Tenho certeza de que estaremos juntos ao final da caminhada." 

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