Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Doria tenta se reunir com Bolsonaro no Rio, mas presidenciável não aparece

Presidente do PSL, Gustavo Bebianno, afirma que encontro não foi agendado pelo partido e que reunião não acontecerá

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

12 Outubro 2018 | 20h07

RIO - O candidato do PSDB ao governo de São Paulo, João Doria, tentou em vão, nesta sexta-feira, 12, se reunir com o presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) na casa do empresário Paulo Marinho, na zona sul do Rio de Janeiro. Pela manhã, o tucano disse que se reuniria com o capitão reformado, a quem declarou apoio na disputa presidencial, mas Bolsonaro não apareceu no local, onde iria gravar programas para o horário eleitoral. 

"Da nossa parte, não foi agendado absolutamente nada com o Jair", afirmou o presidente do PSL, Gustavo Bebianno. "Não haverá esse encontro."

Segundo o presidente do PSL, a recomendação de Bolsonaro é manter neutralidade nas disputas eleitorais nos Estados. "Existe uma conversa institucional, no sentido do PSL agradecer o apoio que gentilmente está sendo oferecido pelo candidato João Doria em São Paulo à candidatura de Jair Bolsonaro", afirmou. 

Bebianno negou que tenha havido alguma resistência de Bolsonaro em ir à casa de Marinho, onde gravaria o programa eleitoral a partir das 14h, por causa de Doria. Durante todo dia a equipe da produtora que faria o vídeo aguardou pelo candidato do PSL, mas ele não apareceu. Segundo o presidente do partido, ele estava "indisposto", por isso, preferiu ficar em casa. "Não há resistência em apoio ao Doria. Existe uma posição estratégica de não se envolver em questões estaduais", disse. 

Ao site BR18, Doria negou que tenha levado um "chá de cadeira de Bolsonaro".  O tucano é amigo do empresário Paulo Marinho, apoiador da campanha de Bolsonaro e suplente no mandato de senador Flávio Bolsonaro, filho do presidenciável. Segundo fontes, Marinho tentou ajudar na aproximação dos dois candidatos, o que teria provocado a indignação de Jair Bolsonaro, que, diante da presença do ex-prefeito no Rio, optou por ficar em casa. 

Apesar do encontro entre os dois não ter acontecido, membros do partido se mostraram favoráveis à aliança. "João Doria tem uma posição muito mais à direita do que à esquerda. Isso é muito claro. Uma pessoa que toma posição. Ele é um homem firme. Nós admiramos", disse Bebianno. 

Também presente ao encontro na casa do empresário Marinho, o economista Paulo Guedes, cotado para o ministério da Fazenda num eventual governo de Bolsonaro, manifestou apoio a Doria. "Gosto do Doria". Ao ser questionado sobre os benefícios de um possível apoio do PSDB na campanha de Bolsonaro, respondeu: "que PSDB?". 

Doria: Não havia expectativa

O candidato do PSDB disse que o motivo de sua visita ao Rio de Janeiro foi reafirmar o apoio e voto ao candidato à presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro. "Quero deixar claro que a intenção da vinda aqui não era nem pedir apoio nem gravar vídeo nem receber nenhuma contrapartida. Apenas manifestar o nosso apoio", afirmou.

O candidato disse ainda que não se sentiu rejeitado por não ter sido recebido por Bolsonaro. Afirmou também que não foi até a casa do candidato do PSL na Barra da Tijuca, na zona oeste da cidade, porque Bolsonaro está indisposto. Pela manhã, no entanto, o presidenciável recebeu a atriz Regina Duarte e muitos outros políticos do seu partido. Ao fim do dia, ainda divulgou um vídeo no Facebook.

"Não há necessidade de nenhuma contrapartida. Aqui não é um jogo. Não há uma negociação. O que temos é uma candidatura a favor do Brasil e contra o PT, contra as esquerdas e contra aquilo que representa a candidatura do fantoche Fernando Haddad (candidato à presidência pelo PT)", disse Doria, na porta da casa de Marinho, antes de seguir para o aeroporto e voltar a São Paulo.

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