Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

'Discussão sobre candidatura única de centro parece meio uma conversa de bêbado', diz Maia

Presidente da Câmara e pré-candidato do DEM afirmou que é 'muito difícil' os outros tomarem decisão agora de desistir de suas candidaturas em prol de uma união do centro.

Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

06 Junho 2018 | 10h04

Pré-candidato ao Palácio do Planalto pelo DEM, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (RJ), afirmou nesta quarta-feira que a discussão sobre uma candidatura única de centro parece hoje uma conversa "meio de bêbado". Isso porque, segundo ele, partidos de campo discutem essa opção, mas a sociedade não enxerga o centro com os políticos.

++ 'A candidatura de Maia jamais será de governo', diz ACM Neto

++ Em evento esvaziado e sem candidatos, partidos lançam manifesto por união do centro

"O problema é que estamos falando muito de centro e temos que entender que a sociedade não enxerga o centro como enxergamos. Fica uma conversa meio de bêbado. A sociedade não encontra nenhuma candidato como de centro", declarou o parlamentar fluminense em sabatina com pré-candidatos promovida pelo jornal Correio Braziliense nesta manhã na capital federal.

Maia afirmou que, até então, suas pesquisas apontavam que o único candidato identificado como de centro pela sociedade era o ex-ministro Joaquim Barbosa (PSB), que desistiu de concorrer ao Planalto. Segundo o deputado do DEM, como nenhum dos outros pré-candidatos desse campo largou na frente e se consolidou, é "muito difícil" os outros tomarem decisão agora de desistir de suas candidaturas em prol de uma união do centro.

++ BASTIDORES: Manifesto para unir centro não empolga e expõe divisão

"Enquanto isso não acontece, todos os postulantes vão tentando construir até julho suas candidaturas", declarou Maia, que vem comandando negociação possível aliança eleitoral do DEM com outros partidos do centro, como PP, PRB, PR e Solidariedade. Como vem mostrando o Broadcast Político, a ideia é que essas legendas estejam juntas na disputa presidencial apoiando um só candidato.

Desarticulação. O presidente da Câmara também disse que a base aliada está desorganizada em razão de uma "desarticulação grande" do governo do presidente Michel Temer. Maia disse que ele e os líderes partidários, e não a Secretaria de Governo, têm negociado diretamente com a equipe econômica a votação de uma agenda microeconômica para ser votada ainda este ano na Casa.

"Se a agenda da Câmara está atrasada, é porque, de fato, há uma desarticulação grande do governo com sua própria base", declarou Maia em sabatina promovida pelo jornal Correio Braziliense. "A base está desorganizada, o governo está desarticulado", reforçou.

O presidente da Câmara ressaltou que tem trabalhado, "de forma semanal", com a equipe econômica para discutir uma pauta de projetos microeconômicos para tentar colaborar com a recuperação do PIB no segundo semestre. "Nada está sendo feito de forma isolada. Não tem nenhuma agenda que vá ao encontro de nenhuma irresponsabilidade", declarou.

Ele prometeu apresentar, em até três semanas, relatório do deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR) sobre a proposta de emenda à Constituição (PEC) da reforma tributária. A ideia, disse, é votar a matéria pelo menos na comissão especial. Enquanto durar a intervenção federal na área de segurança no Rio, PECs não podem ser votadas no plenário da Câmara e do Senado nem promulgadas. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.