Yuri Silva/Estadão
Yuri Silva/Estadão

Comitiva de Marina tenta ‘furar fila’ de bonde em Salvador e usuários reclamam

Pessoas que estavam na fila para embarcar no Plano Inclinado reclamaram e gritaram contra a candidata da Rede, que ia entrar com sua comitiva em um vagão especial

Yuri Silva, O Estado de S.Paulo

10 Setembro 2018 | 11h45

SALVADOR - A candidata da Rede Sustentabilidade à PresidênciaMarina Silva, envolveu-se em uma confusão, em visita a Salvador, nesta segunda-feira, 10, após correligionários e agentes da Polícia Federal tentarem furar a fila para embarcar no Plano Inclinado Liberdade/Calçada, bonde que liga o bairro mais negro da capital baiana, berço do bloco afro Ilê Aiyê, à região da Cidade Baixa.

A atitude provocou reclamações de pessoas que esperavam na fila para se locomover na cidade. Eles começaram a gritar em direção à comitiva da presidenciável da Rede, que seguia para um vagão especial reservado para seu grupo político, segundo coordenadores do partido na Bahia, por questões de segurança.

Quando percebeu a confusão, a candidata à Presidência da República criticou auxiliares que a cercavam. Faziam parte da comitiva figuras como a ex-deputada Heloísa Helena e a candidata da Rede ao governo da Bahia, Célia Sacramento. "Eu disse que eu não queria fazer isso", disse Marina, irritada. Na sequência, dirigiu-se às pessoas que esperavam na fila para pedir desculpas pela situação.

Momentos antes, preocupada com as reações, Marina já havia perguntado a auxiliares se a comitiva estava passando na frente das pessoas que esperavam na fila, mas recebeu uma negativa e seguiu adiante, guiada por agentes da PF. Após perceber a gafe, a presidenciável retornou ao final da fila e embarcou no Plano Inclinado ao lado dos eleitores, conversando e tirando fotos com eles.

Roteiro de Marina em Salvador é vistoriado pela PF

Três agentes da Polícia Federal visitaram na manhã e tarde do domingo, 9, o roteiro de campanha que a presidenciável da Rede faz em Salvador nesta segunda-feira. Eles foram acompanhados de dirigentes da Rede da Bahia, que receberam orientação de evitar locais com aglomeração de pessoas.

De acordo com aliados de Marina, a segurança da presidenciável não foi alterada após o atentado contra o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, na quinta-feira, 6, em Juiz de Fora.

A única alteração foi a supressão de agenda no bairro de Canabrava, periferia da capital baiana. Segundo a coordenadora da Rede na Bahia, Iaraci Dias, a mudança não teve relação com questões de segurança, mas com o horário do voo de Marina. Todos esses locais, além do Hotel Sheraton, onde a presidenciável de Rede está hospedada, foram inspecionados pelos agentes da PF. O trabalho durou boa parte do domingo, entre 10h e 17h.

Estatuto do Desarmamento

Ao ser questionada sobre o atentado contra o presidenciável do PSL, Jair Bolsonaro, na última quinta-feira, em Juiz de Fora (MG), Marina respondeu que, "graças a Deus, nós temos o Estatuto do Desarmamento", afirmando que "uma tragédia teria acontecido" caso Adélio Bispo de Oliveira, de 40 anos, que esfaqueou o candidato, portasse uma arma de fogo em vez de uma faca.

Quando foi questionada sobre qual estratégia usará para se contrapor às ideias de Bolsonaro durante a corrida presidencial, Marina afirmou que "não vai trabalhar com desconstrução de biografias", mas com "críticas a ideias equivocadas". 

Segundo Marina, o problema da segurança pública"não vai ser (resolvido) na base da violência". "E (essa ideia) é tão equivocada que o candidato Bolsonaro, que estava com um forte aparato da segurança da Polícia Federal, da PM, da sua segurança privada, foi atingido por uma faca. Imagine se essa pessoa tivesse uma arma de fogo, o que teria acontecido, uma tragédia."

A candidata da Rede afirmou ainda que não adotará a estratégia de desconstrução do adversário porque enfrentou "uma campanha violenta" em 2014, quando sofreu ataques da campanha à reeleição da presidente cassada Dilma Rousseff (PT).

Naquela eleição, para conter o crescimento de Marina nas pesquisas eleitorais após a morte do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), o PT exibiu propagandas na televisão insinuando que a ex-ministra do Meio Ambiente, substituta de Campos na disputa presidencial, tiraria comida da mesa dos brasileiros.

"O marqueteiro João Santana recebeu R$ 70 milhões do dinheiro roubado da Petrobrás para fazer uma campanha mentirosa para a Dilma e o Temer, que jogaram nosso País nesse buraco", afirmou Marina, justificando suas taxas de rejeição registradas em pesquisas recentes por instituições financeiras.

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