Com indefinição sobre pré-candidato ao governo em Minas, MDB tem base dividida no Estado

Três nomes do partido se apresentam como postulantes ao Palácio da Liberdade nas eleições 2018; disputa interna só deve ser resolvida na convenção

Jonathas Cotrim , O Estado de S.Paulo

10 Julho 2018 | 17h12

BELO HORIZONTE - Em meio à incerteza sobre quem será o pré-candidato do MDB ao governo de Minas Gerais nas eleições 2018, o partido enfrenta divisões no Estado que adiam essa definição para a convenção da legenda — que não tem data marcada, mas deverá ocorrer no fim deste mês.

O partido está dividido entre os que apoiam o presidente da Assembleia Legislativa (ALMG), Adalclever Lopes, e o atual vice-governador e presidente estadual da legenda, Antônio Andrade. As bancadas emedebistas na Câmara dos Deputados e na Assembleia estão fortalecendo o lado de Adalclever, enquanto prefeitos e delegados do partido vão com Andrade. 

Em um encontro com as lideranças que apoiam a sua pré-candidatura, que aconteceu no sábado, 7, Adalclever afirmou que existe uma vontade do partido em seguir nas eleições com a candidatura própria. "Eu tenho certeza que o MDB vai apresentar uma proposta para Minas Gerais, que será uma proposta de todos os políticos do partido."

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Já Andrade, por meio de nota divulgada por sua assessoria de imprensa, negou que haja uma divisão interna, pois a candidatura própria do MDB “teve aprovação de 97% dos delegados”. Além disso, o presidente do partido afirmou que, por conta do tamanho da sigla, é natural a existência de mais de um pré-candidato, mas que depois de o nome ser definido, ele terá o apoio de toda a legenda.

Historicamente, o MDB mineiro sempre esteve aliado ao governador Fernando Pimentel, do PT. No entanto, com a abertura do processo de impeachment contra o petista, em abril, a relação entre os partidos se desgastou. Com o processo contra Pimentel parado na ALMG, petistas e emedebistas não descartam o diálogo para formação de coligação.

De acordo com fontes do partido, os deputados do MDB são os mais interessados em voltar a formar aliança com o PT, por conta da maior facilidade em eleger bancada dentro de uma coligação. Caso se isole e fique sem uma chapa formada, os emedebistas teriam mais dificuldades em se elegerem.

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“Estamos tentando ver qual é a melhor formação para eleger o maior número de deputados”, afirmou o deputado federal Fábio Ramalho (MDB). De acordo com o parlamentar, o diálogo dos emedebistas com os petistas ainda está em aberto e o prosseguimento do processo de impeachment contra o governador não seria um problema para a retomada da aliança.  

No mês passado, os cinco deputados federais do MDB de Minas enviaram uma carta cobrando da presidência do diretório estadual da legenda uma definição sobre a pré-candidatura ao governo do Estado. O grupo deu prazo até a próxima segunda-feira, 16, para que os líderes do partido respondam a solicitação. 

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Apesar da divisão, Adalclever e Andrade não fazem críticas públicas um ao outro. A disputa entre os dois teve um pequeno atrito no último sábado, após membros do MDB Jovem acusarem Andrade de tentar sabotar a reunião de eleição do grupo, ao fechar a sede do partido para o encontro. O presidente da legenda teria feito isso porque a chapa de apoio a ele dentro do MDB Jovem não teria conseguido quórum suficiente para participar da votação interna. 

“O Antonio Andrade tem um grupo fechado e que não dialoga, enquanto o Adalclever escuta as demandas e é nosso parceiro. Certamente é quem apoiaremos”, afirmou o secretário do MDB Jovem Pedro Duarte. Ele também explica que o grupo é disputado por ter uma grande influência no interior de Minas, com vários nomes ocupando prefeituras e câmaras municipais. Procurado pela reportagem, Andrade não se manifestou.

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Correndo por fora, o deputado federal Leonardo Quintão também se lançou como pré-candidato ao governo do Estado pelo MDB. Procurado, o parlamentar não comentou postulação. 

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