Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Com Doria sob pressão, presidente do PSDB tenta convencer Leite a disputar reeleição no RS

Governador de São Paulo sofre ofensiva de ala do partido que prefere o colega gaúcho e tenta barrar sua candidatura presidencial

Lauriberto Pompeu /BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

12 de fevereiro de 2022 | 21h43

Diante da pressão para que o governador de São Paulo, João Doria, desista de ser o candidato do PSDB ao Palácio do Planalto, o presidente nacional do partido, Bruno Araújo, lançou uma ofensiva para convencer o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), a concorrer à reeleição. Leite perdeu as prévias, mas os tucanos que o apoiaram buscam saídas para que Doria não seja o candidato da legenda. O gaúcho é visto dentro e fora do partido como nome com mais potencial de crescimento, por ter menor rejeição, e mais agregador. Ele passou a ser cortejado abertamente pelo PSD, de Gilberto Kassab.

O movimento da cúpula tucana poderia aliviar a ofensiva sob Doria e abrir caminho para que leve adiante sua obstinação de disputar o Planalto. Ao mesmo tempo, evitaria que Leite ceda ao cortejo de Gilberto Kassab, que busca uma alternativa de candidatura própria para o PSD. Para que o movimento se concretize, Leite teria de ser convencido a ir contra uma bandeira pessoal, a de não disputar o mesmo cargo mais de uma vez, e a ficar no PSDB, para tentar um novo mandato no Palácio Piratini.

Bruno Araújo reconhece que Leite se tornou um quadro nacional do PSDB, mas argumenta que é preciso que o gaúcho "não interrompa o avanço no equilíbrio e conquistas de investimentos em andamento no Estado". Assim, pode se fortalecer como presidenciável a partir de 2026. "Não tenho dúvidas que as prévias tornaram Eduardo um player nacional e um segundo mandato com novas entregas no RS vai tornar ele um presidenciável com excelentes expectativas", disse o presidente do diretório nacional ao Estadão.

Militantes tucanos manifestaram apoio à ideia em encontro com o governador neste sábado, dia 12, realizado em Porto Alegre. Ao lado de Leite, o presidente do PSDB participou do evento do diretório gaúcho. "Entregaram uma carta ao governador pedindo que aceite rever sua posição de não concorrer à reeleição e não interrompa o avanço no equilíbrio e conquistas de investimentos em andamento no Estado", disse Bruno Araújo.

O fim da reeleição é uma das bandeiras de Leite desde quando ele era prefeito de Pelotas (RS). Eleito para o cargo municipal em 2012, o gaúcho não tentou renovar o mandato em 2016 e só voltou a disputar uma nova eleição em 2018, quando foi eleito governador.

Antes da proposta de Araújo, que será o coordenador da campanha de Doria, houve uma crescente mobilização de tucanos desafetos do governador paulista. A maioria é pró-Leite.

Em baixa nas pesquisas e com resistência em setores tradicionais do partido, caciques do PSDB se articulam para reverter a vitória de Doria nas prévias tucanas em novembro. Na última terça-feira, 8, uma reunião com a presença de Leite e de quatro ex-presidentes do PSDB - Tasso Jereissati, José Aníbal, Aécio Neves e Pimenta da Veiga - discutiu os cenários caso o governador de São Paulo não decole. Doria chamou o encontro de “jantar dos derrotados”. Uma parte do grupo trabalha para que Doria não seja homologado como candidato oficial do PSDB a presidente na convenção da legenda, prevista para ocorrer entre julho e agosto.

Além da possibilidade de tentar fazer Leite candidato, outra parte do PSDB, representada por Tasso e Aníbal, quer que a sigla apoie a senadora Simone Tebet (MDB-MS). O argumento usado é o de que ela tem baixa rejeição e espaço para crescer nas pesquisas. Uma chapa com os dois também é avaliada.

Em outro sinal de racha no partido, quadros tucanos históricos abriram diálogo com Lula, que chegou a se reunir com Tasso, o ex-senador Aloysio Nunes, o ex-governador de Goiás Marconi Perillo e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Uma alternativa a Leite é aceitar o convite de Kassab. O flerte eleitoral entre eles é público. Mas Kassab também não esconde conversas e a preferência de ala considerável do PSD pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o que tem feito o gaúcho ver com cautela a possibilidade de trocar de partido.

Desfiliado do PSDB em dezembro do ano passado, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin está em tratativas avançadas para ser o candidato a vice de Lula. Nesta sexta-feira, dia 11, ambos conversaram na casa do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT). O destino do ex-tucano pode ser o PSB, PV ou Solidariedade.

Federação

Bruno Araújo também disse que a legenda vai abrir diálogo com o MDB e União Brasil, e ressaltou que, caso as negociações avancem, o pré-candidato tucano terá que se submeter "aos critérios e escolha para definição do nome desse conjunto de forças".

"Na terça (15 de fevereiro) teremos a primeira reunião sobre federação: UB, MDB e PSDB. Nossos candidatos se submeteram aos critérios e escolha para definição do nome  desse conjunto de forças caso as negociações cheguem a termo", afirmou.

Além de aliança presidencial, a federação impõe que os partidos estejam juntos por quatro anos em todas as chapas para o Executivo e Legislativo estaduais e municipais. Embora haja proximidade entre União Brasil e MDB, tucanos e emedebistas estão em lados opostos em Estados como Goiás, Alagoas, Pernambuco e no Distrito Federal. A federação entre as três legendas é vista como algo improvável.

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