Wilton Junior/ Estadão
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Collor volta a falar que é candidato ao Planalto e diz que Lula sofre injustiça

Ex-presidente disse que ainda vai tentar disputar a Presidência e que não há provas de que o triplex do Guarujá pertence a Lula

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

12 Julho 2018 | 16h03

SÃO PAULO - Após seu partido afirmar que não lançaria candidatura à Presidência da República, o senador  Fernando Collor (PTC-AL) voltou a falar que é pré-candidato ao Planalto. Em entrevista à rádio Guaíba, Collor também defendeu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dizendo que não há prova contra o petista e que ele, mesmo preso em Curitiba, tem o direito de gravar depoimentos para a campanha eleitoral. 

"Continuo pré-candidato à Presidência da República. Não cheguei a pensar em nenhum momento em desistir. Continuo nesse trabalho de mostrar que minha pré-candidatura é uma alternativa que achei por bem colocar dentre os quadros dos pré-candidatos que estão postos", disse. 

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No entanto, a afirmação vai contra um comunicado oficial do partido indicando que a legenda não teria candidatura própria à Presidência desde 20 de junho. A nota diz que “sobrevivência” do partido foi um dos motivos para a desistência da candidatura própria.

Segundo Daniel Tourinho, presidente da sigla, “a principal luta da instituição” será atingir ao menos 1,5% dos votos válidos para a Câmara (em nove Estados ou eleger pelo menos nove deputados em nove Estados). Com isso, o PTC ultrapassaria a chamada cláusula de barreira, aprovada na reforma eleitoral no ano passado e que restringe o acesso dos partidos ao Fundo Partidário.

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Falando sobre o atual panorama político, Collor disse que não há provas que o tríplex do Guarujá, pelo qual Lula foi condenado e preso pela Operação Lava Jato, pertence realmente ao ex-presidente. "Ele foi submetido a uma pena de nove anos de detenção sem ter sido concedido a ele o direito à resposta a uma pergunta: onde está o documento que prova que o apartamento do Guarujá é de minha propriedade ou de alguém de minha família?", declarou o senador.

Ele destacou que o aumento da pena de Lula na segunda instância, para 12 anos, foi determinado sem "qualquer fato novo". "Todos sabem que eu não tenho procuração e sequer afinidade ideológica com o ex-presidente Lula em função do que eu vou dizer. Mas [...] eu entendo que vem sendo cometida enormes injustiças em relação ao ex-presidente Lula", disse Collor. 

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Collor defendeu ainda que Lula possa se manifestar como pré-candidato e, após ser registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), como candidato a presidente. "Poderia ser dada a ele a oportunidade de receber um advogado que grave uma declaração sua e que essa declaração possa ser divulgada."

O senador disse não concordar, no entanto, com a tese do PT que Lula está sendo "perseguido" apenas por ser pré-candidato à Presidência. "Aí já acho que é uma viagem na maionese", comentou.

Na entrevista, o parlamentar e ex-presidente da República fez fortes críticas à Operação Lava Jato, comparando a prática de firmar acordos de delação premiada com tortura. "É uma operação que ela, em si, tem os seus bons propósitos. Acontece que a execução dessa operação foi dada a pessoas imberbes, de calças curtas, que não têm ainda consciência da realidade que nos cerca, que não têm a experiência necessária para ponderar e avaliar que aquilo que chega para julgamento e, mais do que isso, que estão atraídas pelos holofotes da mídia."

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